"Afundado na noite."
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"Afundado na noite."

Ricardo Lombardi

22 de abril de 2009 | 06h07

Circular: “Afundado na noite. Como alguém que às vezes baixa a cabeça para meditar, totalmente afundado na noite. Em torno as pessoas dormem. Uma pequena encenação, um inocente auto-engano de que dormem em casas, em camas firmes, sob o teto sólido, estirados ou encolhidos sobre colchões, em lençóis, sob cobertas, na realidade reuniram-se como outrora e mais tarde, em região deserta, um acampamento ao ar livre, um número incalculável de pessoas, um exército, um povo, sob o céu frio, na terra fria, estendidos onde antes estavam em pé, a testa premida sobre o braço, o rosto voltado para o chão, respirando tranquilamente. E você vigia, é um dos vigias, descobre o mais próximo pela agitação da madeira em brasa no monte de galhos secos ao seu lado. Por que que você vigia? Alguém precisa vigiar, é o que dizem. Alguém precisa estar aí.”

(Franz Kafka, “À noite”, em “Narrativas do Espólio”). A imagem eu peguei aqui.