"A tatuagem é meio que um gesto de desespero contra a impermanência"
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"A tatuagem é meio que um gesto de desespero contra a impermanência"

Ricardo Lombardi

29 de abril de 2009 | 06h07

Circular: “(…) A tatuagem é meio que um gesto de desespero contra a impermanência. O cara vê tudo mudar tão rápido, tudo tão fora de seu controle, seja na vida real ou na virtual, que se sente tentado a criar uma espécie de site com páginas fixas. Na própria pele, impregnando-a de tinta. Oferece o próprio corpo em sacrifício para poder contar com um ponto de referência ao acordar amanhã: algo não mudou enquanto ele dormia. E também não sai com água e sabonete.

Pela mesma razão, acho eu, o pichador não picha coisas móveis (veículos) ou transitórias (tapumes, outdoors) e prefere rabiscar muros e fachadas. Ele tem medo de acordar amanhã e já não encontrar suas próprias marcas no mundo. Todos nós temos medo, aliás.”

(Renato Modernell, “Na Pele, nos Muros”. A foto eu peguei aqui).

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