"A questão é esta: o que se deve considerar como tempo perdido?"
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"A questão é esta: o que se deve considerar como tempo perdido?"

Ricardo Lombardi

26 de fevereiro de 2009 | 06h10

Circular: “Mantenha o tempo em alta estima e seja a cada dia mais cuidadoso para não perder nada do seu tempo, mais até do que para não perder nada do seu ouro e prata. E, se a recreação vã, roupas, festas, conversas ociosas, companhias sem proveito, ou sono forem, qualquer deles, uma tentação para roubá-lo do seu tempo, redobre a sua vigilância.” (Richard Baxter, 1673)

“Passei o dia fazendo um resumo do estado atual de minha fortuna pecuniária e cheguei à conclusão que possuo muito mais capital dinheiro do que capital tempo, e portanto é o último que merece particular atenção. (…) Ora, eu posso aumentar o dinheiro, mas, tempo, a única coisa que eu posso fazer é economizar (…). A questão é esta: o que se deve considerar como tempo perdido?” (José Vieira Couto de Magalhães, 1880)

“Os povos primitivos não conheciam a necessidade de dividir o tempo em filigranas. Para os antigos não existiam minutos ou segundos. Artistas como Stevenson ou Gauguin fugiram da Europa e aportaram em ilhas onde não havia relógios. Nem o carteiro nem o telefone apoquentavam Platão. Virgílio nunca precisou correr para pegar um trem. Descartes se perdeu em pensamentos nos canais de Amsterdã. Hoje, porém, nossos movimentos são regidos por frações exatas de tempo. Até mesmo a vigésima parte de um segundo começa a não ser irrelevante em certas áreas técnicas.” (Paul Valéry, 1935)

“Toda gente vive apressada, e sai-se no momento em que devia se chegar.” (Marcel Proust)

“Toda forma de pressa, mesmo que voltada para o bem, trai alguma desordem mental.” (E. M. Cioran).

Via “O Livro das Citações”. Para ilustrar, cena de “Safety Last”, com Harold Lloyd.

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