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"A imprensa foi ingênua em relação ao PT"

Ricardo Lombardi

04 de setembro de 2007 | 05h17

Em setembro de 1987, o primeiro número da revista Imprensa trazia uma entrevista com o diretor de redação da Folha de S.Paulo, Otavio Frias Filho, então com 3o anos (ele assumiu o cargo aos 27). A edição que acaba de sair publica uma conversa com Frias, 20 anos depois. Algumas frases que estão no site: “O Estado é um jornal que está sempre vitimado pelo seguinte dilema: quanto mais se moderniza e se adapta às exigências dos novos tempos, mais dilapida e prejudica seu repertório de tradições” (…) “Eu queria saber do Lula que tipo de preparação ele vinha fazendo nos últimos 20 anos, tempo em que ele teve condições materiais para estudar. Foi a natureza dessa pergunta que o deixou alterado, a ponto de ter abandonado o encontro. Interessava ao PT e ao Lula apresentar esse episódio como se a minha pergunta se referisse a falta de formação universitária. Foi justamente o contrário disso. Eu queria saber a que estudos e preparação ele vinha se dedicando nesse período mais recente, quando ele teve tempo se sobra e dinheiro para fazer um curso de economia, até para estudar no exterior se quisesse” (…) “A maioria dos jornalistas tinha algum tipo de simpatia pelo projeto do partido. Por conta disso, me parece que a imprensa brasileira pecou por ter sido complacente, tolerante e ingênua em relação ao PT. E isso mudou um pouco quando o Lula chegou ao poder e depois de episódios como o do mensalão.”
PS: Como bônus, deixo aqui uma matéria histórica: Roberto Pompeu de Toledo explica, na Veja em SP, como a Folha virou o jornal número 1 da cidade, numa reportagem de 1985. Vale a pena relembrar aquele momento do jornalismo. E uma lista comentada de livros que Frias gostaria de ter lido “quando tinha 17 anos, época em que é comum estar numa encruzilhada”.

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