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A arte da distração

Ricardo Lombardi

22 de fevereiro de 2012 | 10h57

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Sugestão de leitura: no New York Times, o escritor Hanif Kureishi (autor de “Intimidade” e “Tenho algo a te dizer“, entre outros) publicou o artigo intitulado “The Art of Distraction” (em inglês). Vale a leitura. Aproveitei e resgatei do arquivo este outro artigo de Kureishi, publicado no Estadão, sobre o ofício de escritor. Destaco um trecho: “A verdade é que os mais sãos não costumam ser os mais criativos. Como nos recordou Proust: ‘Tudo que existe de bom no mundo procede dos neuróticos. Desfrutamos mil manjares intelectuais, mas não temos ideia do preço pago por seus criadores sob a forma de noites insones, lágrimas, gargalhadas espasmódicas, erupções, asma, epilepsia e medo da morte, que é o pior de tudo.’ O que me tranquilizava era o seu entusiasmo, seu empenho no trabalho. Nossas reuniões lhe proporcionavam uma estrutura útil. Acredito que, na ausência de um professor que acompanhasse esse processo, ele teria dado penosas e intermináveis voltas, vendo-se cada vez mais isolado. Sua criação era uma das mais estranhas e imaginativas que já li, muito distante do realismo rombudo e dos convencionalismos que a maioria dos aprendizes costuma considerar um trabalho inspirado.”

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