Relatos de refugiados compõem romance-manifesto por uma literatura ocupada

Relatos de refugiados compõem romance-manifesto por uma literatura ocupada

Uma conversa com o escritor Julián Fuks, autor de ‘A ocupação’, romance que dá sequência ao premiado ‘A resistência’

Renato Prelorentzou

13 de março de 2020 | 11h40

Um jovem escritor passa os dias entre os moradores de um edifício ocupado no centro de São Paulo. Depois de ouvir suas histórias de emigrantes e refugiados, retorna ora ao hospital onde acompanha a convalescença do pai, ora ao apartamento que divide com a mulher, onde vive entre o temor e a expectativa por sua gravidez.

Estes são os dramas diários que se cruzam e alternam em A ocupação, mais recente romance de Julián Fuks, publicado pela Companhia das Letras.

Escrito em relação direta com os acontecimentos de A resistência (2015), romance que valeu a seu autor os prêmios Jabuti e Saramago, A ocupação começou a ser concebido durante a residência artística na Ocupação Hotel Cambridge e traz entre suas páginas uma troca epistolar com o escritor moçambicano Mia Couto, mentor do projeto por intermédio do programa de tutoria artística da Rolex.

Nascido em São Paulo no ano de 1981, Julián é escritor, ensaísta e também assinou Histórias de literatura e cegueira (2007) e Procura do romance (2012). Com formação em jornalismo e mestrado em letras, publicará ainda este ano Romance – história de uma ideia, fruto de sua pesquisa de doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada.

Na conversa abaixo, Julián fala de seus livros passados e futuros, de novos conceitos que podem explicar a ficção contemporânea e da necessidade de enfrentar os retrocessos com uma literatura ocupada pela política e pelo presente.

Foto: Rolex / Tomas Bertelsen

A ocupação forma um duplo com A resistência, seu livro de maior sucesso. E talvez se possa dizer que estes dois títulos compõem uma trilogia com Procura do romance, livro em que pela primeira vez aparece Sebastián, seu narrador e alter ego. Olhando para trás, você sente que dá para falar numa trajetória, numa evolução das questões, na lapidação de um estilo?   

É possível que A ocupação de fato convoque esse olhar para os livros anteriores, sobretudo para A resistência, com que estabelece uma relação direta e clara, explícita no título e em algumas passagens. Desde sua concepção já havia uma vontade de sair dos limites mesquinhos de mim mesmo em direção a um outro.

Um pouco desse gesto já se insinuou na passagem de Procura do romance para A resistência: sair de um narrador autocentrado e narcisista para tentar chegar a um irmão e a uma família, um conjunto mais amplo que o indivíduo em si. Mas em A ocupação a proposta é extrapolar esse limite, ir mais longe, falar dos outros num plural possível.

Na verdade, antes de eu pensar a duplicidade entre A resistência e A ocupação, entre o resistir e o ocupar, o título original deste novo livro seria Os olhos dos outros, que já continha esse desejo de aproximação à alteridade. Seria uma tentativa de realizar o impossível em literatura que é essa captura do alheio, essa captura do outro.

Entre um projeto e outro talvez eu vá traçando círculos concêntricos, me afastando de mim mesmo, mas sem perder minha própria voz, sem me apartar daquele meu narrador, do Sebastián, desse sujeito que é meu alter ego, sem turvar ou obliterar completamente minha própria vida e minha intimidade, que são os lugares de onde eu tenho sido capaz de falar e de escrever.

E existe outra transformação que é estilística. Creio que, desde Procura do romance, a linguagem se fez um pouco mais simples – embora a simplicidade não seja exatamente a minha marca. Acho que se fez mais direta e, talvez, mais sincera.

A ocupação tem estrutura semelhante à de A resistência, mas trouxe outro desafio: que a aproximação não fosse aos olhos dos outros – como dizia o título inicial – e sim à voz dos outros. Que algo dessa outra linguagem, dessa linguagem que o ouvido capta, dessa forma de falar alheia à própria literatura, que algo disso fosse incorporado ao livro. Então, estilisticamente, A ocupação precisava assimilar esse outro na sua linguagem e se deixar ocupar. Precisava que o próprio livro se deixasse ocupar por essas outras vozes.

E aí há uma transformação estilística, pela construção de um diálogo que se internaliza à própria narrativa, sem deixar as marcas do discurso direto. Construindo aquilo que arriscadamente tenho chamado de discurso direto livre, em que a fala dos personagens se mescla à voz do narrador e, na maior parte das vezes, não nos permite discernir quem falou exatamente quais palavras.

Não é uma invenção minha, em nenhum aspecto, muita gente tem escrito assim, mas é algo a que estou aderindo porque me parece resolver uma questão, ou se aproximar da resolução de outra questão impossível na literatura.

Uma das muitas resistências que se expressaram em A resistência era a de tornar o irmão personagem, inventar-lhe uma voz, contar sua vida – fosse como biografia, fosse como ficção. Parece que o livro todo se escreveu em torno da questão ética e estética de narrar o irmão, uma questão que retorna agora, ampliada. Deixar-se ocupar por outras vozes implica o risco de se apropriar delas? Como foi o desafio de tornar personagens tantas outras pessoas até então distantes, desconhecidas, em tudo diferentes?

De fato, havia em A resistência uma ponderação ética sobre a possibilidade de narrar o outro e lhe dar lugar numa narrativa, sem ainda nenhuma ambição de encontrar sua voz. Pelo contrário, a voz do irmão é continuamente adiada até o momento em que surge num jorro, num surto, e aí, sim, finalmente, o irmão fala.

A questão realmente se amplia em A ocupação. Não desaparecem os dilemas éticos. Não desaparece o problema da apropriação. Pelo contrário, isso se torna uma reflexão mais extrema, mais radical em alguns aspectos, e ainda insolúvel.

A questão da apropriação da voz alheia, da invasão de um outro lugar de fala, estes não são problemas que julgo desprezíveis. E não pretendo com meu livro contrariar a visão de que não podemos tomar o lugar do outro e falar pelo outro. Meu livro, assim espero, respeita esse olhar.

Por isso, a aproximação às vozes desses outros é hesitante. Começa na leitura dos textos de Najati, o refugiado sírio, e depois se abre para um salto, para que as outras vozes apareçam e dominem e ocupem o espaço, obliterando um pouco a voz dominante do narrador.

É evidente que, em alguns momentos, pode acontecer justamente o contrário. Mas a única forma de lidar com essa questão era internalizar o problema na própria narrativa: o narrador se perguntar se aquilo que está fazendo não é uma apropriação, uma invasão da voz alheia, da história alheia, da vida alheia. Essa indagação surge e não encontra respostas imediatas. O livro pretende sobreviver a esse problema, e em nenhum aspecto resolvê-lo.

Nesse contexto se dá a entrada da voz alheia que mais livremente toma lugar no livro, a voz do Mia Couto – ela foge inteiramente aos meus domínios, pois o que ele escrevesse participaria do livro sem a minha edição. É no capítulo escrito por ele que surge o contraponto à noção do lugar de fala. E um contraponto importante, fundado na ideia de que a literatura deveria ser sempre livre e respeitada em sua liberdade, de que a disposição de invenção e construção de um outro é necessária ao exercício literário.

O Mia propõe isso sempre e ali o propõe de um jeito franco e bonito. Um jeito que me parece justo também. Então, quis que essas duas visões convivessem no livro: uma colocada por mim, outra pelo Mia, sem que uma prevalecesse sobre a outra. Porque, reitero, o que existe, justamente, é um problema de impossível resolução, e não uma necessidade de tomada de decisão em defesa da literatura ou contra a literatura. Não faz sentido conceber a questão do lugar de fala e da apropriação dessa maneira. Acho que respeitar o problema é justamente não encontrar uma solução final.

 

Em muitos momentos, dentro e fora do livro, você define este seu exercício, este seu esforço de “literatura ocupada”. Em outras ocasiões, dentro e fora de outros textos, você postulou outros conceitos e ideias como “pós-ficção”, “alter-ficção”…

Minha ideia de pós-ficção é uma forma de nomear os múltiplos hibridismos que vemos na literatura contemporânea. O romance se aproximando da autobiografia, mas também do ensaio, da filosofia, do discurso político. Creio que tudo isso deriva de diversas insuficiências, entre elas a insuficiência da própria ficção, que preocupa a literatura já há algumas décadas: a noção de que haveria uma arbitrariedade em inventar, em fabular, em atribuir nomes e biografias a sujeitos inexistentes.

A solução reivindicada pela literatura seria essa aproximação com outros discursos, uma solução pela impureza, por assim dizer – embora não exista em nenhum lugar pureza alguma. Uma solução, enfim, fundada na ideia de que, nessa fusão com outras linguagens, outros registros, a literatura poderia recuperar alguma pertinência e alguma urgência.

E pelo sentimento de urgência que tem tomado toda nossa experiência cotidiana, acho que se pode pensar uma aproximação não apenas com outras linguagens, mas também com nosso próprio tempo. Venho falando há alguns anos da necessidade de uma literatura política. É algo que está no meu horizonte desde que escrevi A resistência, a ideia de que certos tempos convocam uma literatura mais engajada, ainda que não panfletária ou dogmática, pois não é isso que interessa. Só o que interessa é uma resposta mais imediata aos descalabros que nos cercam.

A ideia de literatura ocupada vem daí. A princípio, eu a chamava de literatura política, mas, escrevendo sobre a ocupação, pensando muito nesse termo e olhando para o mundo contemporâneo, fui vendo como o ato de ocupar tem sido o ato político mais incisivo dos tempos recentes. Ocupar praças, ocupar ruas, ocupar edifícios públicos, ocupar prédios vazios, como no caso do Hotel Cambridge: estes têm sido atos de muita força, de muito impacto, transformadores da nossa sociedade, de diversas sociedades.

Então pensei se não haveria outros espaços menos concretos a serem ocupados. E se a literatura não seria também um desses espaços. Se não poderíamos pensar a literatura como um lugar a mais ocupado pela política e pelo presente.

O estranho é que nesse gesto a postura se faz passiva. Não é a literatura como ocupação. É a literatura como espaço a ser ocupado. Este foi o desafio e a preocupação constante ao longo da escrita. Eu não queria ocupar a vida dos outros com a minha literatura. Eu queria que a vida dos outros ocupasse a minha literatura. Não queria que minha voz se apropriasse da voz dos outros. Queria que a voz dos outros se apropriasse da minha.

 

Ao longo desses anos de A resistência e A ocupação, você também escreveu uma tese de doutorado sobre o romance – ou, talvez fosse o caso de dizer, um longo ensaio sobre o gênero. A pergunta aqui talvez seja: como você lida com essas duas formas supostamente distintas de imaginar e escrever?

Sinto que nunca cheguei a estar cindido entre duas atividades distintas. Elas sempre foram bastante complementares. A escrita vem para mim a partir de um pensamento sobre a própria literatura, que me convoca a duas respostas diferentes: a resposta da produção literária em si, da criação. E a resposta da reflexão, da possibilidade de alinhavar no papel, de outra maneira, aqueles pensamentos, aquelas ideias que vieram da leitura.

Desde o início essas coisas estão bastante unidas em mim. Histórias de literatura e cegueira, meu livro anterior a Procura do romance, nasceu de meu trabalho de conclusão de curso em jornalismo. Depois, houve uma complementariedade entre Procura do romance e minha dissertação de mestrado.

No doutorado as coisas explodiram um pouco, tanto no meu modo de escrever literatura, quanto nessa produção de um ensaio que atravessa os tempos do romance, buscando seus muitos momentos de crise e sua constante indagação identitária: o que seria esse gênero? Quais seriam os limites e as possibilidades dessa forma literária?

Para mim, era evidente que eu estava repassando toda essa trajetória e visitando alguns dos autores canônicos do gênero para refletir qual seria o romance relevante do nosso tempo, que características teria, o que precisaria trazer desse arcabouço convulsivo, como poderia responder ao nosso tempo sem se esquecer de que teve um passado crítico e de que essa crise se manifesta de múltiplas maneiras no presente. Para mim, escrever me esquecendo disso seria quase um ato irresponsável, um ato de obscurantismo.

Gosto da ideia de um romance que traz as marcas do passado, que porta suas cicatrizes. E penso A resistência e A ocupação como romances constituídos dessa maneira, com o intuito de pôr em questão a ficcionalidade, que é um dos aspectos menos explorados pela crise canônica do romance. A ficcionalização e a possibilidade de constituir uma voz ficcional permaneceu bastante intacta mesmo nos momentos de maior radicalismo do gênero – mesmo em Joyce, Woolf, Beckett. Acho que coube à contemporaneidade a exploração mais profunda desse aspecto ainda intocado.

 

Essa escrita algo ensaística, que nasce de um pensamento sobre a própria literatura, lembra aqueles momentos de seus livros em que os personagens envolvidos leem e refletem sobre o romance escrito até ali…

Sendo esses romances também formas de reflexão sobre a própria criação literária na contemporaneidade, era inevitável que eles tivessem uma dimensão de metaficção. Que a literatura se discutisse ali mesmo, naquele espaço. Que não fossem espaços separados, absolutamente: a tese acadêmica como espaço da reflexão crítica e o romance como lugar da criação. As coisas se mesclam. E tanto a tese tem elementos criativos quanto os romances têm uma miríade de elementos reflexivos.

Os finais dos livros são momentos em que isso se explicita. Em A resistência, os pais criticam o romance que leram. Em A ocupação, o Mia intervém, faz uma derradeira ocupação.

A meu ver, esses dois elementos surgem como manifestação mais explícita do caráter dialógico dessa produção. Desde Procura do Romance, algo se transformou em mim: eu já não concebo o escritor como um ser solitário com seus pensamentos, percebi que a literatura não existe em solidão. Que, pelo contrário, ela é produto de uma reflexão coletiva, de um diálogo entre muitas pessoas. Um diálogo entre autores, sim, mas também um diálogo com personagens – com os participantes desse real que marca as produções contemporâneas.

Nessas passagens, há uma manifestação sintomática e significativa dos problemas do livro em si. O livro não esconde seus problemas, sua perspectiva. O livro existe como narrativa, mas também como proposta. Como proposta de uma literatura que não está executada perfeitamente, mas que talvez sobreviva ao próprio livro.

Estou pensando em Macedonio Fernández, no que ele disse sobre seu livro, sobre o Museu do romance da eterna: tratava-se da execução imperfeita de uma teoria que ele reputava perfeita. A defesa de uma literatura ocupada nada tem de perfeita, mas ainda é uma proposta em aberto. Se algum escritor se interessar, pode pensar suas próprias maneiras de executar uma literatura ocupada. O que apresento ali foi simplesmente o que eu pude fazer.

 

Sua ideia de literatura ocupada parece sugerir que já não existem biografias apartadas da história, que o destino de cada pessoa está mais que nunca atado ao destino de todas as outras. Não é isto, afinal, que descobre o narrador de seus romances, que para compreender o mundo é preciso ir além do indivíduo e chegar ao coletivo?  

É curioso que nos dois livros eu tenha percorrido esse mesmo caminho de partir do pessoal e chegar, quase que inevitavelmente, ao político. Em A resistência isso era muito claro. A questão da adoção era o ponto de partida. E, para tratar dessa intimidade familiar, era inevitável ir até as circunstâncias políticas daquela adoção. Era inevitável que o livro se ampliasse, se abrisse para a questão da perseguição da ditatura militar argentina e do exílio.

O processo foi parecido no caso de A ocupação. Quando fui chamado para estar ali naquele espaço, eu me vi sem saber ao certo o que fazer, me peguei entrevistando as pessoas seguidas vezes, longamente, querendo saber de suas trajetórias pessoais, querendo saber como elas tinham chegado ali, qual era a relação pretérita que havia construído a militância no movimento por moradia E foi só lá dentro, depois de muitas entrevistas, que percebi que o foco deveria estar em outro lugar: no coletivo. E coletivo no sentido que se faz mais efetivamente político. Então, de novo, a partir das trajetórias pessoais, eu ia parar numa dimensão mais política.

Mas foi um caminho de idas e vindas, porque, mesmo a partir da dimensão coletiva, não se suprimia o elemento individual. E, no instante da entrada na Ocupação Nove de Julho, o que se ressaltou para mim foi a individualidade da Preta Ferreira, a força que ela adquiriu depois daquilo, dentro e fora do livro, tendo sido presa e vivendo tudo o que viveu, ganhando uma representatividade política impressionante.

Enfim. Só sei que, num dado momento, me dei conta de que estava escrevendo nesses dois livros uma tentativa de dar corpo narrativo às muitas maneiras como a política acaba interferindo nas vidas individuais.

 

Parece que, nessa tentativa de narrar as muitas maneiras como a política atropela a vida, seu olhar tende a se voltar para o tema da paternidade – a paternidade dos pais em A resistência, a possibilidade de ser pai em A ocupação. Por que a centralidade do tema? Como viver ou defender a paternidade em tempos como o nosso?

A frase mais mencionada, mais citada de A resistência talvez seja aquela: “Ter um filho há de ser, sempre, um ato de resistência”. Muitas vezes me perguntaram sobre isso, o que eu quis dizer ao escrever aquilo. E minha resposta passava pelo contexto: ter um filho em circunstâncias brutais, sob perseguição, era uma opção pela vida no instante mesmo em que prevalecia um instinto de morte, um instinto de aniquilação.

Mas tem nessa frase, além disso, a noção do sempre. “Ter um filho há de ser sempre um ato de resistência”. E as pessoas me provocavam nessa direção, para que eu respondesse o que eu queria dizer com esse sempre. Eu de fato não tinha – e ainda não tenho – uma resposta muito precisa. Mas sei que nesse novo livro a coisa ganha uma nova dimensão quando se trata de uma paternidade pessoal. Não mais a especulação sobre as razões que os outros têm para buscar a paternidade, mas um olhar para minha própria vida e para a decisão de ter filhos.

Senti muito fortemente no contexto recente, com a vitória do Bolsonaro, com a desolação que se viu no país logo depois das eleições – e que permanece até hoje, evidentemente – senti muito fortemente que a vida não poderia se esgotar ali, se encerrar ali, que era falsa essa noção de que tudo se abduzia naquele instante, com aquela eleição.

Senti que era preciso seguir. E seguir em todos os sentidos possíveis. Seguir lutando, seguir escrevendo. Mas também seguir vivendo, construindo nossas famílias, tendo nossos filhos. E algo disso está presente no livro. Embora seja sempre indagação, nunca uma certeza, a disposição de ter filhos traz em si a suspeita de que na continuidade da vida poderia haver, afinal de contas, um ato de resistência. A ideia de que nessa construção de novas famílias e novas pessoas haveria, sim, um esforço de emancipação. E um ato de liberdade.

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