‘West Side Story’ será montado em 9 de novembro no Rio
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‘West Side Story’ será montado em 9 de novembro no Rio

Ubiratan Brasil

13 Julho 2018 | 10h53

O musical West Side Story (ou Amor, Sublime Amor, como se chamou aqui o filme) terá uma apresentação especial no dia 9 de novembro no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Será uma montagem nos moldes do original, que estreou em 1957 na Broadway e, desde então, tornou-se um dos maiores musicais de todos os tempos.

A versão nacional terá o comando de Claudio Botelho e Charles Möeller, os midas do musical nacional, responsáveis por grandes sucessos e na turma da frente dos que consolidam o gênero no Brasil. “Não é um espetáculo simples, e levá-lo à cena no Rio de Janeiro será fato inédito. Envolve Sinfônica, Balé, Coro, atores, muita gente, muitos talentos”, disse Botelho, em sua conta no Facebook. Segundo ele, a coreografia original de Jerome Robbins será a base do espetáculo.

Cena da versão do cinema, dirigida em 1961 por Robert Wise e Jerome Robbins. Foto Mirish Pictures

A apresentação será um dos eventos que vão celebrar o centenário de nascimento do autor da música, Leonard Bernstein. Logo, serão anunciadas as datas para as audições.

Será um acontecimento. Versão moderna de Romeu e Julieta, metáfora sobre a ameaça que os imigrantes significam a um país rico, a eterna briga pela conquista do território – West Side Story ainda provoca leituras diversas, mas em um detalhe todos são unânimes: trata-se do musical que revolucionou a Broadway. Quando foi montado, em 1957, surpreendeu não só pelos temas, mas por apresentar uma ação que passava para a dança de forma natural, como se a coreografia fosse extensão dos movimentos dos atores. No Brasil, houve apenas uma montagem profissional, dirigida por Jorge Takla, em 2008, estrelada por Fred Silveira e Bianca Tadini.

Nenhum cuidado é excessivo, afinal a criação original de West Side Story uniu uma equipe ainda imbatível na história da Broadway. Jerome Robbins, que se tornou o modelo máximo do coreógrafo-diretor, teve o controle total da produção, desde a concepção até a montagem final; Leonard Bernstein, com quem Robbins havia iniciado uma brilhante parceria anos antes, compôs as músicas; Stephen Sondheim, na época um jovem de 20 anos que contava apenas com o apoio do grande Oscar Hammerstein, escreveu as letras das canções; e Arthur Laurents, então um dramaturgo promissor, cuidou do libreto.

A história é ambientada no subúrbio de Nova York, onde duas gangues rivais, os Jets (os nascidos americanos) e os Sharks (imigrantes porto-riquenhos), lutam pelo domínio do bairro. Em meio a tanta incompreensão, Tony, um dos fundadores dos Jets, se apaixona por Maria, a irmã de Bernardo, comandante dos Sharks. O amor impossível, que faz lembrar Romeu e Julieta (inspiração inicial da história), é fadado ao fracasso, uma paixão irrealizável graças ao racismo e à xenofobia americana.

Como lembrou Takla ao Estado, na época de sua montagem, trata-se de obra musicalmente complexa, em que atores devem cantar e dançar de forma natural, sem parecer uma demonstração de técnica. De fato, escrito como se fosse uma ópera, o musical exige cantores com vocação lírica para os papéis principais. Mais: em uma das mais célebres canções, Maria, o ator que interpreta Tony necessita alcançar uma nota difícil, o si bemol. Em West Side Story, os números musicais ajudam a narrar a trama e definem o caráter dos personagens. Daí a comprovada importância dos papéis considerados secundários.