Voz firme e graciosa de Áurea hipnotiza a Cidade do Rock
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Voz firme e graciosa de Áurea hipnotiza a Cidade do Rock

Eliana Souza

17 Setembro 2013 | 20h21


Julio Maria

Pouco antes do pôr do sol de domingo, a portuguesa Áurea subiu ao Palco Sunset, no Rock in Rio, olhou para os espaços vazios nos gramados artificiais da Cidade do Rock e viu-se diante de uma escolha. Sem público que a conhecesse, diante de pessoas que pareciam estar ali mais para passar o tempo até que seus ídolos aparecessem no Palco Mundo, Áurea decidiu ir para a batalha.

Ao lado do grupo de blues e soul music também português Black Mamba, jogou sua voz em precipícios de canções dolorosas, libertou sua sensualidade elegante de pés descalços e vestidinho de seda e pareceu querer seduzir um a um, flertando com a plateia. Vítima da hipnose, o Sunset foi enchendo e Áurea deixando uma pergunta no ar. De onde saíra tal criatura graciosa de voz firme?

“Senti que, quando começamos, havia pessoas entrando na Cidade do Rock. Só pensei que deveríamos dar o melhor”, comenta um dia depois de seu primeiro show no Brasil.

Ágil no gatilho, sua distribuidora, a Sony Music, passou a marcar entrevistas logo depois do show para anunciar que Áurea está lançando por aqui seu segundo disco, Soul Notes. O Black Mamba trabalhou em outra frente. Sem disco novo, começou conversas com a casa Bourbon Street para uma apresentação. Eles representam um cenário curioso que Lisboa esconde. Cada vez mais, artistas portugueses perdem o pudor e cantam em inglês ritmos americanos. “A língua é universal quando fazemos música. Sou muito orgulhosa de meu idioma, mas não vejo barreiras quando canto.”

A indústria também começa a perder o medo. Há um ano, dedicou a categoria de melhor intérprete do Globo de Ouro a Áurea. A MTV lusitana conferiu-lhe duas premiações, e sua estante já é adornada por um disco duplo de platina.

Áurea tem o que pode se chamar de uma trajetória ao contrário. Lá estava ela sem saber para onde ir, pulando de uma faculdade para outra, quando aceitou seguir com os amigos para uma reunião musical. Um tocava piano, outro cantava, e, ali, Áurea perdeu a vergonha. Cantou pouco, mas o suficiente para notarem algo especial. Um dos amigos que a ouviu neste dia era pianista e compôs uma canção para que gravasse com ele. A faixa foi levada ao pequeno selo Blim Records.

Em poucos dias, ela ouvia a proposta dos executivos em estado de choque. “Fiquei muda, paralisada. Nunca havia pensado em fazer isso.” Áurea não tinha ídolos, não tinha antecedentes musicais e jamais pensara em uma carreira musical. Fizeram com ela gravações de músicas de diversos estilos e gêneros para descobrir por qual seu coração bateria mais forte. Entraram country, pop, jazz, música portuguesa e até bossa nova. “Ainda sentia que faltava algo.” Até que ouviu Busy for Me e sentiu uma explosão. Era o soul que ela queria para sua vida. Definido isso, foi atrás de seus ídolos e achou primeiro Amy Winehouse e Joss Stone como referência. Aretha Franklin e Etta James vieram depois. Um mundo todo invertido que, até agora, tem dado certo.

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