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Virada Cinéfila tem de Hitchcock a sessão Pink Porn

Daiane Oliveira

19 de maio de 2013 | 20h49

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Flavia Guerra –  O Estado de S.Paulo

Enquanto milhares de pessoas circulavam em algazarra pela cidade, algumas centenas preferiam se esconder na sala escura para conferir a programação de cinema da Virada Cultural. Na região da República, além dos palcos, ruas e barracas de comida, que ainda ganhou várias festas paralelas nos prédios vizinhos, os cinéfilos da Virada faziam fila e lotavam o Cine Olido e o Cine Dom José.

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Na já tradicional programação do Olido, a Sessão Trash Comodoro. Com curadoria do diretor Carlos Reinchenbach, falecido há menos de um ano, a atração das 22h era o longa Thriller, A Cruel Picture, de Alejandro Jodorowsky. Cena rara de silêncio e atenção em uma noite de multidões, tumultos e muito barulho.

Na região da Paulista, o Cine Sesc e o Centro Cultural São Paulo completavam a programação. Tradicional reduto da cinefilia na cidade, o CineSesc exibia de madrugada fila que se estendia para fora do cinema e ganhava o quarteirão. Tudo para tentar ver Disque M para Matar, de Alfred Hitchcock, na telona. Pouco antes, a rara sessão de São Paulo, A Sinfonia da Metrópole, com acompanhamento musical de Livio Tragtenberg, foi um dos pontos altos da Virada no cinema.

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Mas talvez uma das cenas mais raras da história da cena cultural de São Paulo era a fila que se formava de hora em hora na porta do lendário Cine Dom José, na Rua Dom José Gaspar, no Centro, que exibiu a inusitada mostra Pink Porn. Prova de que, na Virada Cultural, cinema pornô também é cultura.

Na madrugada de sábado para domingo, os cinéfilos, os curiosos e os freqüentadores assíduos lotavam o Cine Dom José. A fauna eclética fez do local um dos mais animados. “Desde que as sessões começaram, às 18h, tem tido umas 200 pessoas por filme”, comentava o bilheteiro da casa. “E o melhor é que, ao contrário do que costuma acontecer, hoje está cheio de mulher e casal”, emendou um frequentador habitual do cinema. “Devia ser sempre assim. Pornô e erotismo também é cultura”, completou um ‘visitante ocasional’.

“Vim para conferir o tipo de pessoa que vem a um cinema como este. Na Virada todo mundo se mistura e fica mais legal ainda”, comentou R. A., designer gráfico que nunca tinha ido a um ‘cine privê’ antes. “O mais engraçado é o cheiro de pinho que tem aqui dentro. A faxina é importante. Estou adorando, apesar da gritaria de alguns quando surgem cenas mais picantes na tela. Mas se não fosse na Virada, eu jamais pisaria num cine privê”, brincou a estudante L.V, de 18 anos.

Ousada e bem humorada, a programação Pink Porn do Cine Dom José, que seguiu até às 18h de domingo, exibiu na verdade filmes com nomes de impacto, como Um Belo Mistério: A Lenda do Grande Pênis; Ejaculando Orações: Uma Prostituta de 15 Anos de Idade, Dona de Casa: Sexo da Tarde, entre outros. Na tela, no entanto, o que se viram foram porno softs, filmes de época que, em vista do que se vê hoje na própria internet, são quase histórias românticas. “Hoje a noite é especial. Tem garotas aqui. Não podia ser nada exagerado”, brincou R.A.

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