Suco de olho de cabra e queijo de vermes são exibidos no museu da comida nojenta
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Suco de olho de cabra e queijo de vermes são exibidos no museu da comida nojenta

O Estado de São Paulo

22 Novembro 2018 | 12h19

AFP

O museu da comida nojenta, na cidade sueca de Malmö, surpreende seus visitantes com receitas desconcertantes como o pênis de touro, ou um queijo repleto de vermes.

O museu, que na realidade é uma exposição que estará aberta em um antigo matadouro da cidade até 27 de janeiro, foi criado por Samuel West, responsável também por um museu do xadrez.

Suco de olho de cabra está no museu da comida nojenta (Jonathan Nackstrand / AFP)

Suco de olho de cabra está no museu da comida nojenta (Jonathan Nackstrand / AFP)

O objetivo é que as pessoas “explorem o mundo da alimentação” e percebam os “vieses” culturais, explica o diretor da exposição, Andreas Ahrens.

“O nojo é sempre subjetivo. Depende de com o que você cresceu. É como se tivéssemos sido doutrinados”, explica.

A exposição apresenta queijos de Borgonha, lagosta, caracóis e balas de goma, comuns em certas partes da Europa, junto com cabeças de coelho, ou suco de olho de cabra, quitutes que para o público de Malmö parecem saídos de um livro de feitiçaria.

A mostra é uma volta ao mundo de especialidades, em alguns casos mais e em outros menos chocantes, na qual há comida tradicional, mas também “junk food”.

O bilhete de entrada (18 euros) é uma saco para vomitar, para o caso de o estômago do visitante não conseguir suportar este corrosivo percurso culinário, que leva entre meia hora e duas horas.

“Acho que este é, de longe, um dos museus mais interessantes que já visitei”, afirma Charlie Lam, estudante de Hong Kong, de 23 anos.

queijo repleto de vermes está no museu da comida nojenta (Jonathan Nackstrand / AFP)

queijo repleto de vermes está no museu da comida nojenta (Jonathan Nackstrand / AFP)

Contemplar, cheirar, provar. O fundador do lugar “começou refletindo sobre os museus que não existem e que ele gostaria de visitar, o que levou a isto”, explica Ahrens.

Junto com amigos, Charlie Lam descobriu os 80 pratos expostos, sentiu o aroma singular e em alguns casos se atreveu a prová-los.

Foi o caso do “Su Callu”, um queijo sardo apresentado em uma tripa seca que deixa na garganta um gosto residual de amoníaco, ou do “hákarl”, um tubarão fermentado da Islândia.

A estudante menciona em especial o alcaçuz salgado, uma guloseima muito apreciada nos países nórdicos, e os fedidos queijos britânicos e franceses.

Na exposição, muitos dos alimentos são frescos e alguns podem ser tocados. Alguns curiosos não resistem a apalpar o pênis de touro cru, considerado um afrodisíaco na China.

“Se fosse comida artificial, de plástico ou coisas em conserva, não seria tão interessante nem tão divertido”, acrescenta Ahrens.

“É uma parte importante da experiência para o visitante”, guiado pelo diretor do local pelas mesas da exposição.

Visitante observa o vinho de rato, no museu da comida nojenta (Jonathan Nackstrand / AFP)

Visitante observa o vinho de rato, no museu da comida nojenta (Jonathan Nackstrand / AFP)

Alguns pratos estão presentes em vídeo, como o coração palpitante de cobra — uma especialidade do Vietnã —, que deve ser degustado em seu sangue. “Foi o que me pareceu mais surpreendente”, diz Adam Eliasson, operário de 24 anos.

Os queijos podem ser provados, enquanto os produtos frescos são conservados na geladeira por três, ou quatro, dias e depois jogados fora.

“Normalmente, sou bastante complicado para comer”, conta Eliasson.

“Como muito poucas coisas, […] mas aqui provei tudo e não vomitei!”, diz, contente.

Mas há pratos como as sopas de tartaruga, ou de morcego, o guisado de cabeça de cabra, ou o álcool de ratos, que até os visitantes mais corajosos hesitam em provar.

Andreas Ahrens e Samuel West esperam atrair entre 150 e 500 curiosos em cada dia de funcionamento do museu (de quarta-feira a sábado) e apresentar a exposição em outras cidades da Europa e do mundo.

 

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