Simbiose de George Benson e Ivan Lins agiganta a noite
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Simbiose de George Benson e Ivan Lins agiganta a noite

Eliana Souza

16 Setembro 2013 | 00h36

 

Foto: Marcos de Paula/ Estadão

 

Jotabê Medeiros

Pela primeira vez, o Rock in Rio conseguiu tirar de casa a maior plateia de “lelecos” do festival até aqui (homens que já passaram da meia idade, a exemplo de Marcos Caruso na novela Avenida Brasil). Os responsáveis por isso foram os cantores e compositores George Benson e Ivan Lins, que talvez tenham conseguido o maior coro alternativo do festival até agora – na letra de Vitoriosa, de Ivan Lins.
Ambos fizeram um show realmente simbiótico, juntando forças (e as de seus músicos), com três teclados, três guitarras, baixo, bateria e duas vozes. Benson lembrou, emocionado, a forma como Ivan Lins se tornou o seu melhor amigo no Brasil e como, frente a 300 mil pessoas no primeiro Rock in Rio, há 28 anos, eles balançaram tudo com Dinorah Dinorah. A façanha se repetiu.
A excelência da guitarra jazzística de George Benson deu o toque de sofisticação que faltava até aqui ao festival. Seu timbre está intacto, embora tenha derrapado um pouquinho nos agudos de Kisses in the Moonlight.
Ele abriu a noite já com o pé na porta da geladeira, enfileirando os hits Love X Love, Kisses in the Moonlight e In Your Eyes. O cartão de visitas, com dancinhas e gestos de amor extremado á moda Roberto Carlos, quebraram o gelo e a plateia não parou mais de cantar.
Foi então que veio Ivan Lins (em noite especialmente política) e atacou sua Novo Tempo, enfatizando raivosamente os versos “estamos nas ruas, quebrando as algemas pra sobreviver”.
Depois, discursou: “Hoje é dia de se divertir. Acabado o Rock in Rio, vamos aos nossos deveres, As ruas também esperam por vocês”. Ele voltaria a enfatizar versos de natureza política em Soberana Rosa (She Walks this Earth), composição sua com a qual Sting ganhou um Grammy, como explicou para a plateia.
Ivan Lins está no auge da forma, e seus hits não só sobreviveram ao tempo como são a prova estética de que é possível romper barreiras culturais entre gêneros – ele invade o jazz, subtrai sua bossa do soul de Benson, ambos improvisam sobre o tema, e retornam à coluna cervical da canção no final.
Áurea. No começo, ficou tudo meio estranho. Um vocalista e guitarrista de visual texano, chapéu de caubói e sapatos brancos, e uma cantora loira e charmosa fazendo um soul pop bastante norte-americano. Quando falam com as pessoas, porém, falam um português perfeito, com sotaque de Portugal.
O grupo Black Mamba e a cantora Áurea são isso mesmo. Atrações trazidas de Portugal para fazer música norte-americana, abrindo o Palco Sunset de ontem. Fazem um show honesto, mas que carece de esforço de seus líderes para que a plateia seja conquistada. Deu certo. Eles começaram a cantar para cem pessoas e, quando acabaram, havia mais de 500 à sua frente. O vocalista Pedro Tatanka só não precisava tentar se comunicar com os brasileiros em inglês. É aí que ficava tudo surreal mesmo. / COLABOROU JULIO MARIA

 

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