Série documental do GNT mostra as histórias de lutadoras de MMA
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Série documental do GNT mostra as histórias de lutadoras de MMA

O Estado de São Paulo

02 Dezembro 2018 | 08h38

Por Pedro Rocha, especial para o Estado

O desafio de ser mulher num ambiente historicamente masculino é um dos principais temas de uma nova série documental que estreia no canal pago GNT, Mulheres na Luta, que vai contar histórias de diversas atletas de MMA, esporte de artes marciais mistas. Com oito episódios, a série começa a ser exibida neste domingo, 2, às 23h.

A série é uma coprodução do Ultimate Fighting Championship, o UFC, com o canal Combate e a produtora Conspiração. O programa busca falar, de uma forma geral, sobre a introdução das mulheres no MMA, que hoje já contam com quatro categorias, a partir de conquistas de nomes como o da norte-americana Ronda Rousey. A forma de abordar o assunto, porém, é contando as histórias de nove atletas brasileiras, Cris Cyborg, Ketlen Vieira, Jessica Andrade, Bethe Correia, Poliana Botelho, Priscila Pedrita, Ana Maria Índia, Érica Paes e Viviane Sucuri.

Os nomes finais foram escolhidos a partir de uma seleção entre 50 atletas femininas envolvidas com o esporte, entre profissionais iniciantes, em plena carreira e já aposentadas. A produção pesquisou a vida de cada uma delas, para montar um quebra-cabeça de histórias que se encaixassem bem, falassem sobre variados temas e com personagens que conseguissem participar da série dentro do cronograma de gravações.

A lutadora Jessica Andrade, uma das personagens da série documental ‘Mulheres na Luta’. Foto: Divulgação/GNT

De acordo com o diretor do projeto, Flavio Barone, foram meses de pesquisa e roteiro, que culminaram em algumas temáticas especiais, que guiam os episódios. “A gente tinha pouco tempo com elas, então nos dedicamos mais à pesquisa”, explica. “Os episódios não são necessariamente biográficos, estão ligados à temas.” A partir das oito temáticas definidas, foram incluídos, então, recortes biográficos, para compor os episódios.

A série começa com um episódio “abre-alas”, para falar da origem e ascensão das categorias femininas. O segundo, trata do início da carreira, seguido por episódios sobre a questão de ser mulher num ambiente masculino, o desafio de ser uma atleta de alto rendimento e também sobre rivalidade. Os episódios finais falam sobre família e relacionamentos, maternidade e futuro.

“Consegui mostrar para as pessoas a minha família e todas as dificuldades que já vivi”, afirma uma das personagens, Jessica Andrade, nascida em Umuarama, no noroeste do Paraná. “A gente não entre direto no octógono, temos sentimentos e passamos por muita coisa para estar ali.”

Quando mais jovem, Jessica, que foi criada num ambiente rural, onde costumava brigar bastante com seu irmão, até começar a treinar judô e Jiu-Jitsu num projeto da escola, aos 19 anos. Não por acaso, o episódio em que ganha mais destaque é o focado na família. “Em cada episódio, eles conseguiram pegar o melhor de cada uma de nós, nosso lado sensível e também nosso lado forte”, diz a lutadora. “Dentro de toda mulher forte, tem uma mulher sensível.

A ideia é que cada episódios tivesse mesmo um protagonismo diferente, segundo Barone. “No primeiro e no último, todas participam, do dois ao sete, sempre muda quem protagoniza. A Jéssica, por exemplo, tem uma ótima história de família, enquanto a Pedrita tem uma história bonita de maternidade, com o filho e com a mãe.”

Apesar de toda a preparação, alguma surpresas encontraram a produção pelo caminho, como depoimentos emocionantes sobre violência doméstica e também o drama de uma lesão antes de uma competição. “Já tínhamos feito contato por telefone, mas nas entrevistas surgiam histórias mais profundas do que esperávamos”, afirma Flavio.

Tema recorrente

Apesar de um episódio dedicado ao tema, Barone diz que em todos os programas é levantada a questão da inserção das atletas num ambiente historicamente masculino. “Uma ficha que foi caindo ao longo do projeto é que a narrativa de cada uma delas já parte do ponto que elas precisam se provar, por ser mulheres, e não só no MMA.”

Para Jéssica, mostrar a questão é a principal importância da série. “Para ver a evolução das mulheres até hoje no esporte. Temos quatro categorias, uma imensidão de mulheres treinando”, ela diz. “Hoje as mulheres praticam luta sem medo e até o fato de ter um documentário sobre o tema já é uma grande conquista.”

Por ser homem, Flavio Barone diz ter tido cuidado para retratar as histórias dessas mulheres. “Foi um dos pontos mais difíceis e para isso foi essencial de que eu me cercasse de mulheres, para evitar um olhar masculinizado”, explica. “Não era possível fazer a série sem mulheres em papéis chaves, como no roteiro, produção e montagem.” Para ele, o resultado da equação foi positivo. “Conseguimos chegar num ponto em que elas estão bem humanizadas.”

Ainda não há a confirmação de uma segunda temporada, mas o diretor torce. “Os assuntos não se esgotaram e seria interessante abrir um pouco mais o discurso, talvez no ambiente internacional.”

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