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Rock In Rio USA: Charlie XCX e Ivete Sangalo trazem tempero para dia pop

Pedro Antunes

16 Maio 2015 | 02h02

Las Vegas – O Rock In Rio chegou aos Estados Unidos com quatro dias e atrações divididas em dois gêneros. Nos dias 8 e 9, a prioridade era a guitarra. Neste novo fim de semana, iniciado nesta sexta-feira, 15, o pop é  o denominador comum.
Com o dia próxima do fim, ainda antes dos headliners Ed Sheeran e Taylor Swift subirem ao palco, ficou claro que o pop seria predominantemente bom-moço, adocicado e peso-pena de tão leve. Com uma exceção, ou melhor, duas. Ivete Sangalo e Charlie XCX fugiram dessa fórmula e apostaram em esquentar um pouco as coisas nessa fria tarde em Las Vegas.
No esquema voz-violão-chapéu, James Bay abriu as atividades do palco Mercedes Benz Evolution Stage, o secundário desta edição norte-americana. Ainda havia pouca gente para assisti-lo e um bom punhado do público já guardava lugar para ficar próximo de Sheeran e Taylor. Tove Lo, que veio na sequência, acrescentou batidas eletrônicas, mas a tarde ensolarada não a ajudou a criar a atmosfera necessária.
Foi com Ivete que tudo realmente esquentou. Com o público na mão, falou português, inglês com sotaque soteropolitano e sequer se mostrou abalada ao tropeçar nas escadas que davam acesso ao palco logo no início da apresentação. Com Festa, cantou sobre a farra no “gueto, pode vir, pode chegar”.
Neste caso, o gueto é na Las Vegas Boulevart, mais tradicional avenida que corta o centro da diversão da conhecida como Cidade do Pecado. Um gueto gourmet, digamos. Ainda assim, axé e reggae foram os temperos bem usados para efervescerem o início da tarde. Até gringo parecia satisfeito com o suingue da baiana – o visual de Beyoncé, com uma roupa toda colada ao corpo dela, ajudou.
Charlie XCX não quer saber de puritanismo. Canta em favor do “pussy power”,  como ela repetiu ao microfone um incontável número de vezes, uma forma mais chula do “girl power”. Falta a ela, contudo, um grande hit próprio. Suas músicas mais conhecidas, caso de Fancy e I Love It, se tornaram famosas com parceiras de outros artistas. Isso não diminui a energia no palco. Cheia de personalidade, Charlie é quase uma vocalista de punk deslocada para  o pop.
Não faz o tipo sexy – e a saia razoavelmente longa, prova isso. Mas  sabe usar de  caras e bocas, quando necessário, como em Body of My On. London Queen e Break The Rules ajudam a compor a personagem que não se prende aos padrões do pop. Ela canta a liberdade juvenil, com a ebulição da idade. “I don’t care, I love it”, como ela canta em I Love It, diz tudo.
É um contraste assustador quando o quarteto Echo Smith sobre no Main Stage, o palco principal, pra destilar hits fofos, versos de auto-ajuda e uma doçura estampada no rosto da vocalista Sydney Sierota. Angelical, a cantora já tem trejeitos de diva, mas ainda não o justifica quando solta a voz. O quarteto não fez feio, entenda. Encaixam-se perfeitamente no pop bom-moço. Falta tempero, contudo.
Ed Sheeran e Taylor Swift encerram a primeira noite pop do Rock In Rio USA. No sábado, 16, o festival encerra as atividades com Bruno Mars.