Rob Zombie e o metal suingado
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Rob Zombie e o metal suingado

Eliana Souza

19 Setembro 2013 | 20h55

Roberto Nascimento

Afinadíssimo e, de certa forma, elegante. Não são adjetivos cobiçados pelos cabeludos que comandam o show nos dias metálicos do Rock in Rio. Mas, em meio ao fogo cruzado de subgêneros que primam pela aniquilação de estruturas sonoras, a ordem geométrica com que Rob Zombie cadencia sua música foi um deleite no início da noite de quinta. Pulsação industrial, riffs funcionais como engrenagens de um motor e uma pitada de suingue deram ao cabeludo ex-líder do White Zombie, aclamado diretor de filmes de horror, a vantagem.

Às 19h30 em ponto, o cantor subiu ao palco em seu traje de cafetão dos infernos, com dreadlocks que continuam iguais desde a última vez em que esteve no Brasil (há 18 anos, lembrou). A forma de sua banda é admirável. Com o auxílio de John 5 na guitarra (ex-integrante do grupo de Marilyn Manson), o som ganha precisão orquestral sobre batidas que remetem ao techno, além de uma tonalidade luminosa. É uma guitarra seca, afiada.

Cortou pela multidão sem as apelações a acordes disformes presentes em shows do trash metal. Em certo momento, Zombie enveredou até por um funk, lembrando que sua aparência empoeirada tem precedentes na figura de George Clinton e que, embora seja um senhor das trevas, há uma bem-vinda brejeirice em sua música.

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