Revolucionário do século 20, James Joyce morria há 74 anos
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Revolucionário do século 20, James Joyce morria há 74 anos

13 Janeiro 2015 | 19h27

Por Alexandre Bazzan e Guilherme Sobota

James Augustine Aloysius Joyce, morto há exatos 74 anos, jamais teria encurtado o nome e escrito os livros que transformariam a literatura ocidental no século 20 não fosse a ajuda dos amigos. Ele pagava as contas dando aulas de inglês e contava com o suporte financeiro do irmão quando recebeu a carta de um estranho: Ezra Pound.

Não que Joyce fosse extrovertido e inclinado a novas amizades, pelo contrário. Na carta de apresentação, Pound diz: “nós temos um ódio ou dois em comum, mas isso não é um bom vínculo inicial”. Foi Pound também que ajudou Joyce quando ele precisou passar uma semana por Paris antes de se mudar para Londres. O autor dos Cantos arrumou acomodação e um terno para o amigo, emprestou dois livros e essa semana se transformou em 20 anos. Depois de sete meses, Joyce confidenciou que ainda não tinha trocado 100 palavras com ninguém, a não ser o próprio Pound.

James Joyce (Foto: Giséle Freund)

James Joyce (Foto: Giséle Freund)

Em Paris, ele conheceu Sylvia Beach, fundadora da mítica livraria Shakespeare and Company, que existe até hoje, só que em outro endereço e com outro proprietário. Sylvia ajudou Joyce financeiramente e fez questão de publicar seu novo livro, Ulysses, que havia sido rejeitado por outras editoras. Uma das histórias que circulam é que, com o livro finalmente publicado pela Random House, Joyce nunca retribuiu a presteza da amiga.

A obra era considerada pornográfica – nem é preciso ler o calhamaço pra saber que o irlandês tinha uma queda fundamental para a sacanagem. Suas cartas para Nora Barnacle, sua esposa de sempre, são de deixar Henry Miller e Charles Bukowski parecendo dois coroinhas ingênuos.

Sylvia Beach e James Joyce

Sylvia Beach e James Joyce

Sobre o Ulysses (publicado em 2/2/22), nem a própria família apoiou o resultado final. Sua tia Josephine considerou que o livro não era próprio para a leitura. Joyce respondeu dizendo: “se Ulysses não é próprio para a leitura, a vida não é própria para viver” – as frases são de um texto biográfico escrito por Brett Foster para uma coleção de estudos organizada pelo crítico literário Harold Bloom, sem publicação no Brasil.

Aliás, desde o início de 2012 as obras de Joyce estão no domínio público. Além das traduções de Caetano Galindo (Penguin Companhia) e Bernardina da Silveira Pinheiro (Alfaguara) de Ulysses, estão em circulação por aqui edições de vários outros livros de Joyce, publicados antes e depois da morte do autor, como Retrato de um Artista Quando Jovem, Dublinenses, Finn’s Hotel e até mesmo o interminável Finnegan’s Wake. A lista é longa.

E como diz o Drummond naquele poema bonito (que provavelmente teria a aprovação de Joyce): “sejamos docemente pornográficos”.

James Joyce, Ezra Pound, John Quinn e Ford Madox Ford em Paris, em 1923 (Foto: Digital ID ps_mss_cd21_313, New York Public Library)

James Joyce, Ezra Pound, John Quinn e Ford Madox Ford em Paris, em 1923 (Foto: Digital ID ps_mss_cd21_313, New York Public Library)