Peter Gabriel se apresenta com a New Blood Orchestra
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Peter Gabriel se apresenta com a New Blood Orchestra

Ana Clara Jabur

13 de novembro de 2011 | 23h26

Lipe Fleury – estadão.com.br

Aparentemente mais apropriado para uma Sala S?o Paulo do que o palco de um festival, o impressionante concerto de Peter Gabriel e a New Blood Orchestra começou com uma versão de Heroes, de David Bowie.

Grata surpresa foi o comportamento da plateia no início da apresentação, que se esforçou para permanecer em silêncio, à exceção de alguns deslocados assovios e gritos de vendedores ambulantes, enquanto eram executadas adaptações de canç?es da carreira solo de Gabriel, .

No entanto, o próprio cantor fez questão de deixar todos à vontade para  se sentirem em um show que se justifica pelo rock, e pediu palmas no ritmo de San Jacinto, do álbum Security (1982).

Quase cinquenta instrumentistas tocaram sob a regência do também britânico Ben Foster, que arranjou as versões ao lado de Gabriel. John Metcalfe também colaborou com os arranjos, e ao vivo faz as vezes de spalla.

 

Engajado em causas humanitárias desde jovem,  o artista introduziu a maioria das músicas em um ótimo português, explicando a história de faixas de protesto como Biko, que narra a luta do ativista anti-apartheid assassinado pelo governo sul-africano no final da década de 70.

O ex-vocalista do Genesis ainda alcança tons agudos sem nenhuma dificuldade, e a dramática e poderosa exibição no palco principal recompensou qualquer fã de música não-portador de um transtorno de déficit de atenção.

Ao final do show, a inusitada entrada de Didi Wagner sobre o palco se justificou por um bonito motivo. A apresentadora serviu de porta-voz para uma mensagem que extrapolava o português ensaiado de Gabriel. Após explicar a violenta ação do grupo insurgente Lord’s Resistance Army (Lra), que atua em Uganda e outros países da África Central recrutando crianças para o combate em guerras civis, Didi entregou o microfone de volta ao cantor.

As luzes se acenderam e Gabriel instruiu a plateia a berrar “volte para casa” na língua nativa de Uganda, momento que foi gravado pela produção do show e que, de acordo com o artista, será apresentado para as crianças do país em uma tentativa de demonstrar solidariedade e a confirmação de que, do outro lado do Atlântico, pessoas estão cientes das atrocidades cometidas.

O único ponto negativo fica para o bate-estaca proveniente da tenda eletrônica, que atravessou o festival e contaminou os momentos mais reticentes do espetáculo.

 

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