Pernambucano Romero Ferro apresenta em São Paulo o seu “brega wave”
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Pernambucano Romero Ferro apresenta em São Paulo o seu “brega wave”

O Estado de São Paulo

07 Dezembro 2018 | 09h11

Por Pedro Rocha, especial para o Estado

Pode não parecer à primeira vista, mas o brega e a new wave dos anos 1980 têm, na verdade, muito em comum. A descoberta foi feita pelo cantor pernambucano Romero Ferro, durante as gravações do seu segundo disco. “Por mais diferentes que sejam, os dois estilos possuem muitas similaridades, tanto estéticas quanto sonoras”, afirma.

Um experimento inicial veio na música Para Te Conquistar, lançada em julho. Há poucos dias, ele divulgou uma segunda canção com a mistura de estilos, Acabar a Brincadeira. As duas, agora, vão ser apresentadas ao vivo em São Paulo, numa das festas paralelas da Semana Internacional de Música, a SIM, neste sábado, 8, no espaço Z, no Largo da Batata. O cantor paraense Jaloo também é uma das atrações.

Segundo Ferro, a ideia de misturar os ritmos veio de seu produtor. “Enquanto pensava o que iria fazer no meu segundo disco, percebi que havia um leque de opções de caminhos naturais”, ele conta. “Tanto o new wave quanto o brega já eram caminhos possíveis, e o meu diretor artístico, Patrick Torquato, veio com a sugestão de juntar os dois.”

O cantor Romero Ferro no clipe de ‘Acabar A Brincadeira’. Foto: Bieco Garcia

No show em São Paulo, os dois devem apresentar ainda mais duas músicas inéditas do vindouro novo disco de Ferro, que deve ser lançado ainda no início do ano que vem. Uma delas, inclusive, irá contar com participação da também pernambucana Duda Beat. Segundo o cantor, suas referências musicais, desde a infância, passeiam entre o brega, como nas canções de Reginaldo Rossi, e pelos anos 1980, com os trabalhos de Marina Lima e Lulu Santos.

Para ele, o brega pernambucano vem passando, nos últimos anos, por mudanças, que ele acompanha de perto. “Os artistas já estão tentando se adequar aos novos tempos, como a MC Loma, que faz um funk misturado com brega”, analisa. “Estamos vendo vários artistas usando timbres eletrônicos, já estava percebendo essa ideia e foi algo que se fortaleceu no meu trabalho.”

As letras das novas músicas de Ferro também são referência ao brega clássico, falam de amor e sentimentos. “No meu primeiro disco, segui uma linha mais política e subjetiva”, afirma. “O brega tem isso de ser direto, mas que não é mais ou menos importante. Fala de amor de uma forma cotidiana e acessível.”

Algumas letras, segundo ele, se aproximam do trabalho atual de Alice Caymmi. Por isso, ela será sua convidada para o show desta sábado, repetindo uma parceria que os dois já fizeram numa apresentação de Recife. “Acredito que nós falamos para o mesmo público.”

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