‘Passione’ chega ao final sem fortes emoções
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

‘Passione’ chega ao final sem fortes emoções

Renato Vieira

15 de janeiro de 2011 | 06h16

Clara, de Mariana Ximenes

Clara, de Mariana Ximenes

Por mais que o acidente e explosão do carro de Clara desse a impressão do contrário, o último capítulo da novela das nove Passione não foi marcado por surpresas. Isso porque, quem prestou atenção ao que disse o autor Sílvio de Abreu desde o início, sabia que 90% dos personagens que faziam cara de conteúdo sempre que se mencionava algum dos crimes importantes da trama, não tinham nada a ver com a história. Sobraria mesmo só para um dos dois vilões principais, Fred e Clara.

A loira má vivida por Mariana Ximenes afinal foi a eleita, com justiça diga-se de passagem, a responsável pelas principais maldades cometidas contra a família Gouveia: a morte do patriarca, Eugênio, e do filho, Saulo. Vale ressaltar que a personagem mais sem escrúpulos, descobriu-se, era a avó dela, Valentina. Esta, além de seduzir o garoto Gerson e transformá-lo num adulto pervertido e atormentado, entregou a neta para ser abusada sexualmente pelo filho mais velho de Bete Gouveia. Esta era, afinal, a motivação para Clara ter interesse na morte do empresário ressentido e inescrupuloso interpreteado por Werner Schurman.

Para não se cair no clichê de dizer que todas as novelas são iguais, é preciso ressaltar que Sílvio de Abreu cometeu sua ousadia. O verdadeiro grande vilão da história, no final das contas, não ficou conhecido pelos personagens. O Fred de Reynaldo Gianechini foi punido pela Justiça como autor da morte de Saulo e Eugênio (Justiça poética pelo desempenho do moço?). Clara, que não morreu carbonizada como fazia supor a cena do início do último capítulo, ainda cometeu a maldade de mandar uma carta para o ex-amante e ex-parceiro de falcatruas. Ou seja, todos nós ficamos sabendo quem era quem, mas os demais personagens, não.

Na área cômica da novela também não houve novidades. O Berillo de Bruno Gagliasso conseguiu enfim o que queria: viver sua bigamia com Jéssica (Gabriela Duarte) e Agostina (Leandra Leal), o casal do lixo, Clô (Irene Ravache) e Olavo (Francisco Cuoco) fizeram as pazes e Mimi, que tanto queria sua princesa italiana, acabou com a baixinha tagarela que o roubou na porta da Igreja. E a assanhada matriarca dos Gouveia vivida por Cleyde Yaconis casou com o motorista, pai de Mauro (Elias Gleiser), e seguiu o romance com o irmão do ex-marido (Emiliano Queiroz).

A festa final não foi casamento e sim o aniversário de sábia Bete Gouveia, capaz de acreditar na sinceridade de Fred, ainda que isso não tenha sido explorado. O Totó de Tony Ramos, que não teve função alguma na trama desde que desmascarou a vilã Clara, foi recompensado ganhando como sua terceira mulher a Juliana de Patrícia Pillar que até a ciumenta irmã Gemma (Aracy Balabarian) aprovou. Ah, sim, Mauro (Rodrigo Lombardi) deixa a viuvez pra lá e fica com Melina (Mayana Maia).

Passione terminou com um saldo mediano, sem grandes erros, mas longe de ser das melhores coisas feitas por Sílvio de Abreu. Pode ter recebido uma audiência baixa se comparada ao histórico global, mas este processo não pode ser atribuído apenas à qualidade da trama ou do (mal) desempenho de personagens fundamentais na trama, como Gianechini. A partir de agora, comece a esquecer o sotaque italiano. A próxima novela, Insensato Coração, é carioquíssima.

Totó e Juliana

Totó (Tony Ramos) conhece e se casa com Juliana (Patrícia Pillar)

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: