O violinista Joshua Bell é destaque do Festival de Abu Dabi
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O violinista Joshua Bell é destaque do Festival de Abu Dabi

Eliana Silva de Souza

22 de março de 2013 | 19h40

Heloisa Aruth Sturm/ Abu Dhabi

A plateia ria durante o concerto do violinista. Não, eles não estavam sendo rudes, tampouco o músico mostrava-se irritado. Na verdade, era ele quem os provocava. Não é comum ouvir risadas vindo da plateia durante uma apresentação de violino. Mas quem estava no palco era Joshua Bell. Na noite de sexta-feira, em um auditório do Oriente Médio repleto de sheiks e ocidentais endinheirados, o norte-americano mostrou por que ele é considerado o ‘popstar’ da música clássica.

Joshua Bell esteve em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos, para se apresentar ao lado da Filarmônica Checa durante o Festival de Abu Dabi, que ocorre durante todo o mês de março e promove um encontro entre artistas do Ocidente e do Oriente. A música que fez muitos na plateia rirem e acompanharem entusiasmados não era clássica, mas era um clássico. Bell mostrou sua versão original e impecável de “Yanke Doodle”, considerada uma das músicas mais patrióticas dos Estados Unidos, que teve origem durante a Guerra dos Sete Anos, no século 18, quando o país ainda era uma colônia da Inglaterra, e já foi trilha sonora de filme e desenho animado.

Antes do momento de descontração erudita, a noite começara no auditório do Emirates Palace, um suntuoso hotel de 7 estrelas e 3 bilhões de dólares inaugurado em 2005, com a filarmônica apresentando uma peça celebrando as águas do Rio Moldava, o mais extenso da República Checa, que corta a capital Praga: era a “Vltava”, ou Poema Sinfônico nº 2, do compositor checo Bedrich Smetana.

“Essa peça de seis poemas sinfônicos tem um significado especial, porque durante as ocupações sofridas ali, pelos alemães durante a Segunda Guerra e pelos russos em 1968, essa peça ressurgia como o orgulho da nação, a forte convicção de que a nação checa tem um futuro brilhante”, disse o maestro Jiri Belohlávek, à frente da filarmônica desde o ano passado.

Essa era a terceira ocasião que o maestro tocava com o norte-americano. E a primeira vez dos dois em Abu Dabi. “Em minhas memórias mais profundas eu me recordo da atmosfera maravilhosa que ele consegue criar. Ele é não só extremamente profissional, como também muito passional”, diz Belohlávek. Juntos, eles tocaram o concerto para violino de Max Bruch, o mesmo que Bell havia tocado em junho de 2009 no Brasil com a Sinfônica Brasileira sob a regência de Roberto Minczuk.

A noite também contou com a Sinfonia nº 7, de Dvorak. A peça, elogiada pelo escritor irlandês George Bernard Shaw, quando este assistia a première em Londres, em 1885, traz elementos da região da Boêmia, a música folk checa e o ritmo do Furiant, uma dança típica. E para lembrar a Espanha, país homenageado neste ano pelo Festival de Abu Dhabi, a noite terminou com Bell e a Filarmônica Checa tocando Zigeunerweisen (Melodias Ciganas), do espanhol Pablo de Sarasate. O popstar da música clássica deixou o público em êxtase. Resta esperar para ver com o que ele nos surpreenderá em sua próxima visita ao Brasil, programada para o semestre que vem.

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