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O lendário pianista McCoy Tyner se apresenta na Praça da República que tem palco mais tranquilo este ano

Marcio Claesen

05 de maio de 2012 | 20h34

Roberto Nascimento – O Estado de S. Paulo

No palco da República, a muvuca que costuma tomar a praça aos poucos se formava no fim de tarde de sábado. Fãs de McCoy Tyner, o lendário pianista, silenciosamente aglomeravam-se em frente ao palco.

Paulistanos, perdidos e alguns descolados zanzavam pelos arredores. “Quem é mesmo McCoy Tyner?” perguntavam alguns. “Ah! É o cara que tocava com o Coltrane”. Já outros, como o musico André Motta, foram por fascínio pelo homem das harmonias suspensas, que criou, junto a Miles Davis e John Coltrane, a linguagem do jazz modal.

Enquanto a plateia aguardava McCoy, o trompetista e produtor Guizado fazia um excelente show no coreto do lado oposto do palco, criando um clima soturno que ilustrava bem a paisagem de sombras e luz fraca. McCoy subiu ao palco pouco depois das 19h. Elegante, trajando um terno Buena Vista Social Club, agradeceu os aplausos e lançou mão de um improviso raveliano.

A banda o seguiu e com um dos característicos grooves modais. O som, como é de praxe na Virada, deixava a desejar, fazia a trama rítmica da banda parecer distante. Mesmo assim, o quarteto, com baixo, piano, bateria e sax, voava baixo e tranquilo. Não houve catarse, mas aos 73, McCoy nada tem a provar. Agradeceu o público com voz rouca e frágil, muito gentil como sempre, e continuou navegando por oceanos e desertos de harmonias abrangentes.

Deve ser um ano tranquilo na Praça da República. A programação desta vez traz jazzistas e outros de cunho instrumental. Em outros anos, samba, funk soul e samba rock deram o tom.

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