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North Sea Jazz Festival tem início com shows concorridos de Enrique Iglesias e Lionel Richie

O Estado de São Paulo

05 Setembro 2015 | 17h03

Adriana Del Ré

Curaçao – A 6.ª edição do North Sea Jazz Festival, na Ilha de Curaçao, no Caribe, começou na última sexta-feira, 4, com formato enxuto e três palcos em atividade, com diferentes propostas. Neste sábado, 5, será o segundo e último dia de festival. Além do Palco Sam Cooke, o principal, há ainda os Palcos Sir Duke e Celia, o primeiro literalmente à beira-mar e o segundo instalado dentro de um teatro. Bem organizado e sem filas para pegar comida, bebida ou ir ao banheiro, o festival trabalha, a exemplo de outros eventos do gênero, com moeda própria, o Token. Na conversão, 4 Tokens equivalem a US$ 6, o que, em tempos de moeda americana em alta no Brasil, torna, para nós, os preços mais salgados.

No primeiro dia de festival, sexta-feira, os shows de Enrique Iglesias e Lionel Richie, ambos no Palco Sam Cooke, foram os mais concorridos. Iglesias se apresentou primeiro. Com 20 minutos de atraso, o pop star espanhol arrancou os já conhecidos gritos das fãs assim que entrou cantando I’m a Freak, faixa de seu novo disco, Sex and Love, que dá mote, aliás, à sua atual turnê. Do recente álbum, ele também sacou canções como I Like How it Feels e o hit Bailando, além de revisitar músicas de discos anteriores de carreira, como Tonight.

Iglesias passa uma imagem afável. Durante o show, ele desceu para cumprimentar o público, convidou um rapaz na plateia para cantar com ele Stand By Me – segundo o próprio cantor, música que ele ouve desde a infância – e, de surpresa, saiu do palco principal e apareceu em um outro montado no meio da plateia. Com um figurino simples, fez um concerto superproduzido, com direito a efeitos de fumaça e papel picado voando em direção à plateia. Em pouco mais de uma hora de apresentação, flutuou por uma sonoridade sui generis, que engloba ritmos latinos, pop e elementos eletrônicos. O intérprete veio nas versões ora em espanhol ora em inglês – a primeira, língua materna, mantém sua fama nos países latinos e a segunda, na qual é fluente, o projeta para um mercado mundial.

Mais tarde, o cantor e compositor Lionel Richie apresentou um repertório basicamente só com seus sucessos de carreira. “Vamos ter todas as músicas que eu me lembrar”, prometeu ele logo no início. E cumpriu com uma arrebatadora sequência de hits. Emendou canções de seus tempos de grupo The Commodores, como Brick House e Easy (esta última, numa versão estendida, que começou ao piano, tocado por ele, e depois ganhou até uma levada reggae) e da longa carreira solo, como Hello, Ballerina Girl, Three Times a Lady e Say You Say Me.

Entre uma canção e outra, Lionel buscava a cumplicidade da plateia. Antes de cantar Endless Love, originalmente um dueto com Diana Ross, ele contou que havia convidado a cantora para estar naquele palco. Pausa. Vibração geral. Para, em seguida, ele continuar, brincando: “Mas ela disse não”. All Night Long, um de seus grandes sucessos dos anos 1980, mas que ainda arrasta as pessoas para a dança, parecia selar sua apresentação. Mas o cantor voltou para relembrar We Are The World e também Michael Jackson, seu amigo e parceiro nessa canção gravada por um supergrupo com objetivo de angariar fundos contra a pobreza na África, em 1985.

A cantora Cassandra Wilson abriu a programação no Palco Celia, seguida pelo premiado vocalista Gregory Porter. Com estilo cool e voz potente, ele foi acompanhado por uma banda de jazz de primeira linha, em sua formação clássica, que ajudava a ressaltar a força de Porter nos vocais. As merecidas atenções voltadas para ele só não foram plenas, porque o público tinha livre acesso para entrar e sair do teatro onde esse palco fica instalado. Assim, o vai e vem e o falatório faziam com que as pessoas se dispersassem enquanto Porter estava lá, em grande performance.

No Palco Sir Duke, dois veteranos ganharam os holofotes, além da ótima cantora Emeli Sandé. Charles Bradley, o homem do soul, exibiu um repertório vigoroso, entre o dançante e o romântico, e a nítida influência – tanto na sonoridade quanto no figurino, nada discreto – vinda de James Brown, de quem Bradley foi imitador antes de começar sua carreira tardiamente.

The Isley Brothers fechou a noite nesse palco, com o vocalista Ronald Isley como líder e único remanescente dos fundadores da banda. O show começou com quase 1 hora de atraso, depois que Lionel Richie já havia terminado seu concerto. O set list seguiu uma espécie de caminho regressivo, até que o grupo chegasse à canção Shout, primeiro sucesso da banda, em 1959. Para o final, eles prepararam uma homenagem a Jimi Hendrix, que chegou a tocar com os irmãos Isley, mas a execução-tributo do guitarrista Ernie Isley induziu à inevitável comparação (no caso, para pior) com o autêntico estilo de Hendrix, e muita gente foi embora antes de o show chegar ao fim.

A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DE CURACAO TOURIST BOARD