‘Não é um piti, é real’, diz médico de João Gilberto
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‘Não é um piti, é real’, diz médico de João Gilberto

Ana Clara Jabur

14 de dezembro de 2011 | 20h34

Produtores confirmam cancelamento da turnê que marcariam os 80 anos do cantor

Com informações de Roberta Pennafort / RIO

Os shows que marcariam as comemorações de João Gilberto estão cancelados, sem previsão de novas datas. Diante de informações desencontradas, as empresas responsáveis pela turnê afirmam, em um comunicado oficial, que as apresentações só serão remarcadas após a total recuperação do artista.

Geriatra e amigo de João Gilberto há cerca de dez anos, o médico Jorge Jamili afirma que o quadro de saúde do cantor, que estaria com uma forte gripe, piorou com a proximidade das datas da turnê.

“Há um mecanismo psicossomático dessa pressão que faz com que ele fique debilitado, debilitado mesmo, mais magro. Em todo idoso, as vias aéreas superiores e as articulações são o que sentem primeiro. A coluna reclama. Não é um piti, é real. Ele não é um excêntrico, um louco. Tem problemas físicos, sente muita dor. Se pudesse, não estaria assim”, disse ontem Jamili, fã do pai da bossa nova. “Não sei quanto é físico e quanto é somatizado.”

O geriatra – que costuma atendê-lo em casa -, afirma que João Gilberto tem duas hérnias na coluna, e ambas doem quando ele faz shows, por causa da posição do violão e do estresse – João, sabe-se, é um perfeccionista, e precisa se sentir em sua melhor forma para se apresentar.

“São problemas pertinentes à idade. Ele apresenta um temperamento, que todos conhecemos, que não tolera bem a pressão. E não é um senhor 100% saudável, não é da geração saúde” O estado de saúde do cantor jamais permitiria que ele entrasse num avião para ir a São Paulo, tampouco que pegasse um carro até o Municipal, acrescentou.

“Com esse novo cenário de impossibilidade de comparecimento do cantor aos shows, os produtores do projeto decidiram suspender a realização da turnê”, informa o comunicado da OCP Comunicação e Maurício Pessoa Produções.

A devolução dos ingressos, com preços entre R$ 500 e R$ 1.400, continua sendo feita pela Ingresso.com, no caso dos ingressos para o Rio de Janeiro, e pela Via Funchal, em São Paulo.

Parte do cachê já estava paga

Os produtores da turnê, que passaria por São Paulo, Rio, Brasília, Porto Alegre e Salvador, já contabilizam o prejuízo. “Uma parte do pagamento dele já tinha saído, então vamos ver com o senhor Aloisio Salazar (advogado de João) como fica isso. O prejuízo é claro, mas não posso revelar de quanto”, disse, abatido, Maurício Pessoa, ontem de manhã. “É uma decepção total. Nós nunca imaginamos que isso fosse acontecer, tínhamos um contrato amarrado. Temos que acreditar no argumento da doença.” Salazar não deu entrevista.

Os custos iniciais da turnê eram de R$ 4,5 milhões, incluindo o cachê, os voos, acomodação da equipe e outros gastos. Nenhuma empresa quis patrociná-la, daí os ingressos a até R$ 1.400. A Via Funchal, em São Paulo, onde João cantaria domingo, e o Teatro Municipal do Rio (show na quarta) não haviam recebido comunicado do cancelamento até o fechamento desta edição, assim como nenhuma nota explicativa sobre a devolução do dinheiro havia sido distribuída

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