Mostra de Cinema de São Paulo revela programação de 2015
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Mostra de Cinema de São Paulo revela programação de 2015

Ubiratan Brasil

10 Outubro 2015 | 18h18

“Essa não será a Mostra da crise, pois será uma Mostra forte.” Bastaram poucas palavras para Renata de Almeida, diretora da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, cuja 39ª edição começa no dia 22 de outubro e vai se estender até 4 de novembro, já ganhar os primeiros aplausos, no início da coletiva de imprensa, na manhã de sábado, 10. Palavras fortes para um momento delicado, em que o mercado cultural se encolhe por causa do arrocho econômico.

Desde a morte de seu marido e idealizador do evento, Leon Cakoff, em 2011, Renata tomou para si as rédeas da organização do principal festival de cinema de São Paulo e um dos mais destacados da América Latina. Cercou-se de uma equipe fiel e trabalhadora e manteve, ano a ano, a luta pela manutenção dos patrocínios. A crise econômica de 2015, porém, tornou o céu mais nebuloso – cotas antes rapidamente garantidas demoraram para confirmar; outras até sumiram e um facho de luz surgiu com a recente inclusão da CPFL. Com isso, o orçamento ficou reduzido em 40%, o que afetará na diminuição dos convidados internacionais, na ausência de festas e na mudança da sede da Mostra para outro QG, o hotel Maksoud Plaza.

“Mesmo assim, me orgulho de confirmar 312 filmes de 63 países, que ocuparão 22 endereços da cidade”, disse Renata. E o cardápio, de fato, continua de primeira: o publico terá à disposição longas premiados como Dheepan, de Jacques Audiard, que conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, e o venezuelano Desde Allá, de Lorenzo Vigas, Leão de Ouro em Veneza (veja mais na lista de destaques).

Mostra de Cinema

Além disso, a Mostra contará com deferências, como receber a estreia mundial do novo filme de Hector Babenco, Meu Amigo Hindu, que vai abrir o evento, no dia 22, e do longa Um Dia Perfeito, de Fernando León de Aranoa, que vai encerrar a maratona, em 4 de novembro. Ambos diretores estarão presentes.
Não havia, de fato, como não realizar a Mostra. “Ela já se tornou parte integrante do calendário cultural de São Paulo”, observou Marcos André Silva, da Petrobrás, empresa que há 14 anos patrocina o evento mas que, por motivos bem conhecidos, passa por um delicado momento financeiro. Mesmo com atraso (assim como fez a Prefeitura de São Paulo), o compromisso foi honrado e as contas, aos poucos, foram fechando.

Mesmo com um orçamento reduzido, Renata faz questão de manter o mantra do idealizador da Mostra, Leon Cakoff, para quem o público tinha de ser o principal beneficiado. Assim, além de sessões em salas tradicionais de cinema, a programação inclui uma itinerância por 10 cidades do interior paulista, graças a uma parceria com o Sesc, e uma exibição simultânea de filmes da programação em Campinas, fruto do acerto com a CPFL.

Exibições ao ar livre também continuam com força total, como a exibição de Meu Único Amor, filme mudo de 1927, que será mostrado na área externa do Auditório Ibirapuera, acompanhado da Orquestra Sinfônica de Heliópolis. Também o vão livre do Masp, que já recebeu um emburrado Pedro Almodóvar em priscas eras, será palco para a homenagem a José Mojica Marins, o criador do Zé do Caixão, que vai receber o Prêmio Leon Cakoff.

O cineasta Martin Scorsese é o autor do desenho que inspirou o cartaz e a vinheta da Mostra, que também o homenageia. “Mas não pensamos em exibir um ciclo de seus filmes, que estão facilmente à disposição do público”, conta Renata. “Preferimos homenagear a atitude de Scorsese em recuperar e preservar filmes do mundo inteiro, representada pela The Film Foundation, que ele criou há 25 anos.” Com a missão de manter viva a história do cinema, a entidade será lembrada com a exibição de 25 filmes selecionados entre os mais de 700 já preservados graças à sua ação.

E, por falar em recuperação, a Mostra faz ainda uma homenagem ao cineasta Mario Monicelli, que completaria cem anos em 2015, com a exibição de cinco de seus filmes. As permanentes começarão a ser vendidos a partir do dia 17, na Central da Mostra, no Conjunto Nacional.

O discurso de Renata contra a ação da crise econômica foi ouvido com orgulho por um espectador especial: Jonas, um de seus filhos com Leon. Foi a primeira entrevista coletiva da mãe a que participou. E aprovou. Alguma intenção de ingressar no comando da Mostra? “Não sei, mas pretendo estudar cinema a partir do próximo ano”, disse, sorriso aberto.

PRINCIPAIS FILMES

Dheepan, de Jacques Audiard (Palma de Ouro no Festival de Cannes); Desde Allá, de Lorenzo Vigas (Leão de Ouro no Festival de Veneza); Pardais, de Rúnar Rúnarsson (Concha de Ouro no Festival de San Sebastian); A Terra e a Sombra, de Cesar Augusto Acevedo (Camera D’Or no Festival de Cannes); A Ovelha Negra, de Grímur Hákonarson (Vencedor do Un Certain Regard no Festival de Cannes); Chronic, de Michel Franco (Melhor Roteiro no Festival de Cannes); Son of Saul, de László Nemes (Grande Prêmio do Júri e Prêmio FIPRESCI no Festival de Cannes); Virgin Mountain, de Dagur Kári (Melhor Filme, Roteiro e Ator no Festival de Tribeca); A Bruxa, de Robert Eggers (Melhor Direção no Festival de Sundance)

SERVIÇO

PERMANENTES E PACOTES PROMOCIONAIS
Permanente Integral – R$ 430,00
Permanente Integral Folha (15% de desconto para o titular da assinatura, mediante apresentação da carteirinha de assinante) – R$ 365,50
Permanente Especial (para sessões de 2ª a 6ª feira até às 17:55h, inclusive, não contempla finais de semana nem sessões noturnas) – R$ 100,00
Pacote de 40 ingressos – R$ 315,00
Pacote de 20 ingressos – R$ 185,00

LOCAL
CENTRAL DA MOSTRA
CONJUNTO NACIONAL – AVENIDA PAULISTA, 2073 – AO LADO DO CINE LIVRARIA CULTURA
NFORMAÇÕES: De 12 a 16/10, das 12h às 18h
VENDAS: De 17/10 a 04/11, das 11h às 21h

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