Pianista cubano Bebo Valdés morre aos 94 anos
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Pianista cubano Bebo Valdés morre aos 94 anos

Eliana Silva de Souza

22 de março de 2013 | 17h38

Seu último disco foi Bebo y Chucho Valdés, Juntos para Siempre, ao lado do filho

 


Jotabê Medeiros

Morreu anteontem na Suécia o pianista cubano Bebo Valdés, aos 94 anos. Seu verdadeiro nome era Ramón Emilio Valdés Amaro e nascera em 9 de outubro de 1918 em Quivicán, a 40 minutos de Havana. Era pai de outra lenda do piano cubano, Chucho Valdés, que hoje vive em Málaga, Espanha.
O pianista emergiu da cena dos anos 1940 em Cuba, tocando na Orquesta Valdés-Hernández, inicialmente, e depois na banda de Julio Cueva (na qual compôs um dos seus primeiros mambos, La rareza del Siglo). De 1948 a 1957, trabalhou no lendário Tropicana, onde acompanhou e fez arranjos para Rita Montaner. Sua orquestra, Sabor de Cuba, atuou com grande sucesso no famoso cabaré, e Bebo acompanhou músicos de todo o mundo, como Nat King Cole. Era colega e amigo dos grandes, como Cachao e Patato.
Bebo, ao contrário do filho Chucho, detestava o regime cubano e não suportava Fidel Castro. Em 1960, no meio de uma turnê internacional, exilou-se em Estocolmo, na Suécia. “Eu e Bebo trocamos grandes ideias musicais e somos grandes amigos. Nunca conversamos sobre política para não discordar, mas no resto somos harmônicos. Ele não está mais fazendo shows, está descansando, mas desfruta de ótima saúde no momento”, disse Chucho Valdés ao Estado, em 2011.
O pianista ganhou um Grammy com o disco Lágrimas Negras, ao lado do cantor Diego el Cigala. Também fez música para Chico & Rita, desenho de animação de Mariscal que foi indicado ao Oscar 2012. Seu último disco fora Bebo y Chucho Valdés, Juntos para siempre, ao lado do filho. “Conheço Chucho desde que era um menino e andava atrás do pai dele, Bebo”, contou Omara Portuondo sobre a relação dos dois. O próprio Chucho reproduzia uma história que virou lenda em Cuba.
“Meu pai conta que, quando ele trabalhava no Tropicana, como subdiretor e arranjador de orquestra, uma vez saiu da sala e deixou sobre o piano duas partituras. Quando regressou para recolhê-las, sentiu que alguém estava tocando. Não estava martelando o piano, mas tocando melodias. Então ele correu para ver quem era, e encontrou a mim, segundo ele. Ele perguntou a minha mãe. ‘E o que é isso? Você o ensinou?’. E minha mãe disse: ‘Não, eu nunca. A única coisa que vejo é que sempre que tu tocas ele está atrás vendo.’”
Bebo esteve em Salvador filmando com o diretor espanhol Fernando Trueba, em 2004. Na ocasião, disse ao Estado que não queria morrer antes de conhecer a Bahia. Fernando Trueba o levou à Bahia e filmou lá, com Carlinhos Brown, O Milagre do Candeal. E disse: “Eu trouxe Bebo Valdés porque há uma clara conexão entre a música de Cuba e a da Bahia, pelo legado africano das duas terras. Eu poderia ter trazido um personagem jornalista ou um personagem sociólogo para fazer uma visita ao Candeal. Mas eu queria um olhar de dentro, que despertasse antigas ligações culturais.”

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