Missa negra do Ghost é metal retrô
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Missa negra do Ghost é metal retrô

Eliana Souza

19 Setembro 2013 | 21h46

Jotabê Medeiros

Um papa saído das profundezas do Inferno foi a mais grata surpresa do rock no primeiro dia da segunda semana do Rock in Rio. O grupo sueco Ghost, cuja performance cênica é notadamente anticlerical e anticristã, brindou os fãs do rock pesado com uma mistura de rock retrô, rock clássico à Black Sabbath, mais uma mistura de black metal e doom metal.

Como nos shows atuais de Madonna, a entrada do grupo foi precedida por um canto gregoriano, mas o que veio depois não tinha nada a ver com glamour (antes, era puro antiglamour): os cinco músicos da banda não têm “rostos”, usam uma máscara meio Darth Vader e acessórios de sacerdotes de seita Illuminati. Depois da introdução de Infestissumam, entrou o vocalista, um papa sombrio, com máscara de caveira, um cajado com um símbolo pagão, túnica de papa, chapéu de papa e gestos de papa. Só que um mensageiro da palavra das sombras.

Vindo da cidade de Linköping, na Suécia, a banda não se apoia em um tipo de metal de combustão fácil. É cultora das texturas e das melodias, embora as guitarras sejam demolidoras. Canções em um latim híbrido, como Per Aspera Ad Inferi e Con Clavi Com, são declamadas pelo vocalista, que se apresenta apenas como Papa Emeritus II (no seu currículo, consta que foi precedido por outro papa infernal, Papa Emeritus I). Os músicos não têm nomes, como no Slipknot, mas seu anonimato serve menos para criar clima do que para impor um clima.

A dureza do clima “somos das trevas” só é amenizada por um certo clima pop (afinal, eles são da terra do Abba) e pela gentileza do Papa Hell: ele pede para a plateia cantar consigo o refrão da última canção, Monstrance Clocks. Letra que de ingênua não tem nada. “Vamos juntos para o filho de Lúcifer”, diz o refrão. A plateia não canta.

Sorte do Ghost que o clima está ameno no Rio, porque não deve ser fácil cantar dentro daquelas máscaras e roupas.

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