Mesmo após o fim, 33ª Bienal de São Paulo vai continuar em projeto online de Bruno Moreschi
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Mesmo após o fim, 33ª Bienal de São Paulo vai continuar em projeto online de Bruno Moreschi

O Estado de São Paulo

26 Novembro 2018 | 08h31

Por Pedro Rocha, especial para o Estado

A 33ª edição da Bienal de São Paulo se aproxima do fim. Porém, mesmo depois que as portas do Pavilhão Ciccillo Matarazzo se fecharem ao público pela última vez este ano, no dia 9 de dezembro, uma das obras da Bienal continuará disponível ao público. É o site Outra 33 Bienal, criado pelo artista Bruno Moreschi, que continuará no ar e ainda será alimentado após o encerramento do evento.

A obra de Bruno consiste numa plataforma que realiza diversas ações e insere a Bienal de São Paulo em algumas ferramentas modernas de análise de dados e informações virtuais. Além disso, o site cria um espaço democrático e crítico, que dá voz a pessoas leigas em arte, mas que ajudaram na construção e realização do evento.

Montagem da 33.ª edição da Bienal de São Paulo, no Parque do Ibirapuera Foto: Gabriela Biló/Estadão

“A ideia do projeto é realizar uma série de ações que tentam entender essa Bienal a partir de discursos que não sejam do curador ou da instituição”, explica o artista, que acredita que uma exposição de arte vai além do que está, de fato, exposto. “Existe uma série de discursos que também atuam nas exposições, que vai desde pessoas que trabalharam para construir o espaço e quem o mantém, como os montadores e a equipe de segurança, até pessoas que visitam a Bienal mas não entendem de arte.”

Uma das ações, por exemplo, se chama Reações do Público, feita com os mediadores do setor educativo da Bienal. O artista criou um grupo, num aplicativo de mensagens de celular, e os funcionários do evento começaram a enviar comentários curiosos, fatos inusitados ou vídeos e fotos de situações diferentes observadas por ele durante o período expositivo. Os relatos, aos poucos, foram registrados no site criado pelo artista, outra33bienal.org.br.

“Os mediadores costumam ser, mais que o artista ou curador, pessoas que, de fato, vivem o dia a dia da exposição e veem o que acontece ali”, diz Moreschi, que destaca que tudo que acontece durante o período expositivo, de mostras em geral, não é guardado, diferente de textos curatoriais ou até mesmo das fotos feitas pelo público. “Tem muito comentário de crianças, a ideia é que ao final a gente tenha uma série desses pequenos comentários não especializados sobre as obras.”

Uma outra ação que envolve os funcionários da Bienal é a Audioguia: Mais Vozes, em que pessoas que trabalharam desde a montagem até a manutenção do evento fazem, ao seu próprio modo, um guia de áudio paralelo ao oficial, que conta com artistas e especialistas falando sobre as obras. “A Rosângela, por exemplo, uma das funcionárias da limpeza, escolheu comentar sobre uma das obras da pintora Vânia Mignone”, relata o artista.

As ações citadas são as mais simples, mas o site trabalha também com ferramentas mais complexas. Em Registros Decodificados, imagens amadoras desta edição e fotografias históricas da Bienal, no passado, são interpretadas por um conjunto de Inteligências Artificiais: Amazon Rekognition, Darknet YOLO, Facebook Detectron, Google Cloud Vision, Microsoft Azure, IBM Watson e APIs dos serviços Deep AI e Clarify. A última, de acordo com Moreschi, é utilizada pelo Departamento de Defesa dos EUA.

A intenção, segundo o artista, é perceber novos modos de compreensão sobre o que passa pela Bienal, a partir da tecnologia, que, no entanto, é produzida com o viés humano e demonstra tendências da nossa sociedade. Os resultados, por exemplo, surpreendem por trazer figuras femininas, mesmo em situações corriqueiras, como objetos sexualizados e potencialmente “provocativos”.

Se esta edição da Bienal recebeu críticas por sua falta de posicionamento político no pleito eleitoral deste ano, o trabalho de Bruno deixa bem claro o seu, com uma seção intitulada Golpe, que reúne registros de manifestações políticas feitas dentro do Pavilhão do evento nos últimos meses. Outra seção, Imprensa: Títulos, faz um jogo de palavras com textos escritos por jornais brasileiros sobre a Bienal de São Paulo.

O projeto de Moreschi inclui ainda trabalhos fotográficos e robôs de resposta automática no Twitter.

33.ª Bienal de São Paulo

Parque do Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Portão 3. 3ª, 4ª, 6ª, dom. e fer., 9h às 19h (entrada até 18h); 5ª e sáb., 9h às 22h (entrada até 21h); fechado às 2ªs. Entrada gratuita. Até 9/12.

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