Meninas do hip-hop protagonizam uma “Revolução Suelen” em show para 5 mil
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Meninas do hip-hop protagonizam uma “Revolução Suelen” em show para 5 mil

Marcio Claesen

06 de maio de 2012 | 14h36

Jotabê Medeiros – O Estado de S. Paulo 
 


As garotas não quiseram saber: em pleno sol escaldante do meio-dia de domingo, arrombaram a porta de um território antes exclusivo dos manos e colocaram as meninas no balanço do hip-hop. As cantoras Lurdez da Luz e Flora Matos foram os destaques da jornada no Palco República, esgrimindo rimas de um hip-hop que contempla a desilusão amorosa, o ciúme, a apatia masculina, a falta de carinho. Mais da metade do público era formado de garotas, com suas bombetas e cabelos coloridos, seus namorados calados e sua euforia juvenil na ponta dos saltos.

 

“Fica só pra esperar o sol”, cantava Flora Matos, de gorro de esquiadora e coturno, a maior estrela do rap nacional no momento. O pedido da garota ao amante que quer se mandar cedinho para evitar o compromisso faz um eco na praça, e as meninas na República acompanham os refrões a plenos pulmões. Uma “Revolução Suelen” parecia a ponto de explodir no coração de São Paulo, embalada por músicas que poderiam perfeitamente ser tema da garota cheia de iniciativa da novela das nove (vivida por Isis Valverde), como Tem Quem Queira. As canções de Flora Matos parecem conhecidas em todas as classes sociais, uma espécie de trégua social e multicultural. “Pretim, desse jeito você me deixa louca”. Não havia menina que não estivesse dançando essa.

“A primeira vez que eu encontrei Flora Matos foi na Favela de Heliópolis”, disse o MC da tarde. Ela veio de Brasília, conquistou o coração do Emicida e até do carudo Mano Brown, e agora já domina multidões – havia mais de 5 mil pessoas na praça no momento em que cantava. Com a ajuda de uma dançarina igualmente desafiadora, Aline Maia, uma versão blonde de Sharon Jones no tablado, ela incendiu a tarde.

Lurdez da Luz, que já integrou o Mamelo Sound System, não tem a capacidade de sublevação de Flora, mas seu ziriguidum musical, que mistura gêneros e batidas, também tem grande valor. Parceira de Jorge du Peixe, da Nação Zumbi, dividiu os microfones com Flora antes de se despedir. As duas garotas, juntas, batendo no peito e pedindo respeito (e conclamando suas fãs a fazerem o mesmo), foi o grande acontecimento sociológico dessa Virada 2012.

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