Marta Suplicy critica Luiz Ruffato e elogia Michel Temer
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Marta Suplicy critica Luiz Ruffato e elogia Michel Temer

Ubiratan Brasil

09 de outubro de 2013 | 07h56

Ubiratan Brasil, enviado especial a Frankfurt

“Não era o local para se dar uma aula de sociologia.” Assim reagiu a ministra da Cultura, Marta Suplicy, sobre o discurso proferido pelo escritor Luiz Ruffato na noite de terça-feira, durante a abertura da Feira do Livro, em Frankfurt. “Ele apresentou uma visão dura do País, mas senti falta do lado mágico e literário do Brasil”, continuou a ministra, que conversou com alguns jornalistas na manhã desta quarta-feira.

Ruffato participou da cerimônia de abertura ao lado de autoridades alemãs (como Guido Westerwelle, ministro das Relações Exteriores) e de brasileiras (além de Marta, estava presente o vice-presidente da República, Michel Temer). Em sua fala, ele apresentou uma crua análise das desigualdades brasileiras, trazendo dados como índices de mortalidade infantil, assassinatos, estupros. Também delineou a desigualdade social do País. Ao final, recebeu o aplauso mais duradouro (um minuto) e caloroso (algumas pessoas ficaram em pé). Também dividiu opiniões, como a crítica feita pela diretora Daniela Thomas, que teme que o discurso acentue os clichês que marcam o entendimento do público europeu sobre o Brasil.

Marta Suplicy seguiu na mesma linha. “Ele não disse nenhuma inverdade, mas não soube destacar o outro lado, o trabalho que o governo vem fazendo para diminuir essas desigualdades.” A ministra da Cultura, por outro lado, elogiou o discurso de Michel Temer, que falou de improviso para ressaltar tanto a capacidade econômica do Brasil (o que, segundo ele, justificava o fato de o País ser o convidado de honra deste ano da Feira de Frankfurt) como para lembrar sua formação literária, culminando com o comentário sobre sua condição de escritor (publicou um livro de poesias, Anônima Identidade). “Temer se colocou bem e soube apresentar os programas de desenvolvimento do governo. Ele completou a reflexão de Ruffato, que não capturou toda a diversidade da realidade brasileira.”

A ministra também comentou a vaia recebida pelo vice-presidente, ao final do discurso. “Na verdade, foram poucas, que partiram de um grupo que acredita ser esse fórum internacional o melhor caminho para se expressar”.

Sobre a polêmica envolvendo o escritor Paulo Coelho, que decidiu não mais integrar a delegação brasileira de 70 autores convidados pelo MinC, Marta Suplicy revelou seus esforços para demover essa decisão. “Meus assessores falaram com o diretor da feira, Jürgen Boos, que se dispôs a ceder um espaço para o Paulo receber convidados e dar autógrafos, logo depois da cerimônia de abertura. Mas ele não aceitou e também não atendeu aos meus pedidos de conversa – pedi, inclusive, a intermediação do Fernando Morais, mas ele disse que seria difícil”, disse a ministra, rebatendo também a afirmação de Coelho de que a lista dos convidados era formada por nomes que ele desconhecia. “Não trouxemos só ícones e o Paulo, pelo seu passado de sucesso, certamente seria o maior deles. Mas, ele não quis. É uma pena, mas não me importo que fale o que pensa.”

Curiosamente, ainda que não presente em carne e osso, Paulo Coelho é visto a cada minuto, nos ônibus que fazem o circuito de interligação entre os pavilhões da Feira de Frankfurt: todos carregam sua foto e um convite para acompanhá-lo nas redes sociais.

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