Marina Silva fala em ‘democracia prospectiva’ e cita em discurso nova tese sobre participação popular
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Marina Silva fala em ‘democracia prospectiva’ e cita em discurso nova tese sobre participação popular

Ana Clara Jabur

13 de novembro de 2011 | 12h52

Jotabê Medeiros – O Estado de S. Paulo

A ex-senadora e ex-candidata a presidência Marina Silva faz uma concorrida palestra no SWU, por volta do meio-dia, no Fórum de Sustentabilidade do festival SWU, em Paulínia, região de  Campinas.

Marina considera que o mundo vive uma de suas maiores crises, “uma crise civilizatória”, que se espraia pelas áreas social, ambiental, política, estética e até mesmo de valores, e que o homem terá de integrar economia e ecologia numa mesma equação se quiser que o planeta tenha futuro. Citou Freud (“Não podemos abandonar o princípio da realidade em nome do princípio do prazer”) e Edgar Morin (“A intolerância é apenas um desvio”) para justificar uma tese que, revelou, elaborou ontem num quarto de hotel.

“Eu pensei: estamos vivendo um momento de democracia prospectiva. Fui até a janela respirar e pensei: Meu Deus! Eureka!”. Segundo ela, as diversas formas de participação social, sejam as manifestações da Primavera Árabe e os atos dos estudantes nas praças da Espanha, demonstram que o antigo sistema político, que se manifestava primeiro nos partidos, nos sindicatos, nos congressos, hoje está começando direto na participação popular, com as pessoas “projetando novos aplicativos para a democracia”.

Na visão de Marina Silva, “as bordas estão se movimentando para encapsular o centro”, um centro que está estagnado por ter se agarrado a um projeto de poder, de lucro pelo lucro. Ela festejou as mobilizações de mais de 500 mil jovens no Chile por melhorias na Educação, e mais 250 mil nas ruas de Bogotá por mudanças no sistema político. As pessoas querem ser “proativos, não mais meros espectadores”, afirmou.

“O jovem não é pragmático, é sonhador. Já fui jovem. Pelo menos há uns 28 anos atrás. Naquela época, não era razoável se contrapor ao fazendeiro que derrubava florestas para plantar capim. Não era razoável se juntar aos seringueiros e índios”, ela contou.

Para Marina, o aquecimento global se apresenta como uma espécie de “Armagedon ambiental”, e que o mundo terá necessariamente de reduzir 80% de suas emissões de CO2 até 2050, sob pena de desaparecer. Citando Cazuza em meio a estatísticas, foi muito aplaudida. “Dois bilhões de seres humanos vivem com menos de um dólar por ano”, afirmou. O governo do presidente Lula tirou 25 milhões de pessoas da pobreza, mas ainda há 6 milhões vivendo com essa quantia no Brasil.

Marina Silva foi senadora da república durante 16 anos e foi, por 5 anos e meio, Ministra do Meio Ambiente na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Ela brincou que não se pode exigir pragmatismo dos jovens, porque a decisão de ir para um lugar como este, o SWU, certamente será sempre combatida pelas mães, mas é da própria natureza do jovem se arriscar pelo futuro. “Se você não pode fazer nada (para mudar o mundo), fotografe esse cartaz do SWU e poste no Facebook”, afirmou

O fórum está sendo transmitido ao vivo na página oficial do SWU no Facebook ou pelo site do Multishow.

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