Manifestantes protestam contra a exposição ‘Queermuseu’ no Rio de Janeiro
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Manifestantes protestam contra a exposição ‘Queermuseu’ no Rio de Janeiro

Cerca de 40 pessoas se reuniram em frente ao Parque Lage para protestar contra obras de arte; mostra recebeu 1,2 mil pessoas em menos de três horas

O Estado de São Paulo

18 de agosto de 2018 | 12h41

(Atualizada às 20h51 de 19/8/2018) RIO — Cerca de 6,8 mil pessoas passaram pelas três salas da exposição Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira no Parque Lage, no Rio, entre sábado, 18, e domingo, 19. A mostra, censurada em Porto Alegre no ano passado, abriu sua versão carioca neste sábado e fica por um mês no espaço.

De acordo com o diretor da Escola de Artes Visuais (EAV), Fábio Szwarcwald, por enquanto, a proibição de ingresso de menores de 14 anos, mesmo acompanhados pelos pais, se mantém. Os organizadores apresentaram recurso, mas ainda na conseguiram derrubar a decisão.

A exposição ficará no Rio por um mês.

Mais cedo, cerca de 40 manifestantes de movimentos como Brasil Livre (MBL), Liga Cristã e Templários da Pátria protestaram contra a exposição. A mostra abriu no Parque Lage depois de ficar apenas 26 dias em cartaz em Porto Alegre no ano passado, de ser censurada pelo prefeito carioca, Marcelo Crivela e de mobilizar a classe artística da cidade em torno de uma iniciativa de financiamento coletivo.

Manifestantes diante da entrada do Parque Lage, onde está a Queermuseu. Foto Renata Batista/Estadão

Apesar dos manifestantes, não houve reforço na segurança do local. De acordo com o comando do 23° BPM (Leblon), policiais estão na área realizando patrulhamento. A assessoria da PM não informou o tamanho do efetivo. A segurança dentro do Parque Lage é privada. De acordo com a organização do evento são cerca de 20 homens.

O publicitário Marlom Aymes, do grupo Templários da Pátria, disse estar no Parque Lage para proteger os manifestantes conservadores. Segundo ele, o grupo foi criado há cerca de quatro meses para cuidar da segurança, “contra os ataques da esquerda nas manifestações”.

“Não estamos contra as pautas LGBT, mas contra algumas obras da exposição que incentivam a pedofilia, pregam o vilipêndio religioso”, declarou. “O Templário é um grupo de segurança, não podemos pregar a violência, mas se houver, precisamos nos defender”, disse.

Uma das obras expostas no Parque Lage, no Rio. Foto Fábio Motta/Estadão

A candidata a deputada estadual pelo PSOL, Carol Quintana, discutiu com vários manifestantes, mas disse não temer violência. “Tem muita mídia. Eles estão contidos e controlados. Mas não podemos ser silenciados por esse tipo de manifestação”, disse.

O diretor da Escola de Artes Visuais (EAV), Fábio Szwarcwald, disse que as manifestação contra a Queermuseu já eram esperadas e, dentro dos limites da liberdade de expressão, faz parte da democracia. Segundo ele, além dos seguranças do Parque Lage, a exposição conta com uma equipe de segurança privada extra e câmeras de segurança.

O diretor da EAV informou ainda que estão recorrendo contra a proibição de ingresso de menores de 14 anos mesmo acompanhados pelos pais. Segundo ele, essa não era a orientação do Ministério Público.

Curador da ‘Queermuseu’ acusa MBL de criar uma farsa contra a mostra

Na cerimônia de abertura da exposição, seu curador, Gaudêncio Fidelis, acusou o MBL de criar uma farsa contra o evento. Segundo ele, por trás das manifestações “reside um movimento obscurantista com pretensões eleitorais”.

“É uma investida fascista e fundamentalista, que cresce no País e ameaça as liberdades. A abertura (da exposição) é uma das maiores derrotas para o fascismo” disse.

Para ele, o legado da exposição é reabrir o debate que foi negado por grupos fascistas e pelo cancelamento da mostra em Porto Alegre.

“Impedir o acesso ao conhecimento não é uma alternativa. Só os covardes fazem isso”, criticou. “Diante da censura não cabia outra coisa se não acreditar que o futuro reservava para nós essa vitória.”

De acordo com o curador, a exposição, que foi interrompida em Porto Alegre ficará no Rio apenas por um mês, período correspondente ao tempo em que ficou fechada no Sul. Até este sábado, ele não recebeu convites para levar para outras cidades.

“O Rio de Janeiro está de parabéns porque, historicamente, sempre esteve à frente dos movimentos de vanguarda e porque representa bem a diversidade. Mas essa não é uma vitória apenas para o Rio. É uma vitória para toda a sociedade brasileira”, disse Fidelis, que a todo momento fazia o sinal de vitória.

Acompanhado pelos dois filhos menores de 14 anos – que estiveram na cerimônia, mas não puderam entrar na exposição, em cumprimento da decisão judicial, o diretor Szwarcwald disse que a mostra reafirma o comprometimento da instituição com a liberdade de expressão.

“O prefeito disse que a exposição aconteceria no fundo do mar”, lembrou. “Não estamos em Atlântida, e ela vai acontecer aqui”, declarou. / Renata Batista

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