Mais de 500 vendedores ambulantes se dizem vítimas de estelionato
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Mais de 500 vendedores ambulantes se dizem vítimas de estelionato

Eliana Souza

14 Setembro 2013 | 18h44

Clarice Cudischevitch

Mais de 500 vendedores ambulantes afirmam ter sido enganados por uma mulher, identificada como Deise de Oliveira, que cobrou entre R$ 150 e R$ 200 reais para que eles pudessem trabalhar dentro do Rock In Rio, mas não lhes entregou as credenciais e ficou com a carteira de trabalho deles. O caso foi registrado na 16ª DP (Barra da Tijuca) e, segundo o delegado Fabio Ferreira, o crime foi configurado como estelionato. Ainda de acordo com o delegado, a mulher, no entanto, não havia sido identificada até a tarde de sábado, 14.

Segundo os trabalhadores, Deise foi contratada como terceirizada pela rede de lanchonetes Bob’s para recrutar os ambulantes. A assessoria do Bob’s afirmou que contratou uma empresa para fazer esse recrutamento, e que não cobra dos vendedores para trabalhar no evento. Disse também que não reconhece Deise como contratada da rede.

Os ambulantes passaram todo o sábado na entrada da Cidade do Rock à espera de uma atitude. “Vim de São Paulo e aluguei uma casa com outras três pessoas por R$ 600 no Recreio, além dos R$ 100 na passagem de ônibus”, afirmou Jonas Ferreira Soares. “Os produtos estão todos lá dentro e não podemos entrar para trabalhar.”

Nilton Antonio Marques é outro vendedor que veio de São Paulo. Ele tem o comprovante de transferência bancária de R$ 200 para a conta de uma das filhas de Deise, Vanessa Rodrigues de Souza. Já Fabio Teixeira Salvador transferiu dinheiro para a conta de outra filha, Danielle Rubim Santos de Oliveira. Há ambulantes que fizeram a transação há cinco meses.

Alguns dos vendedores chegaram a passar a noite no lugar. “Não tenho dinheiro nem para o ônibus, não almocei, estou morrendo de fome”, comentou Lenilson Teixeira Prudêncio. “Ela tem que dar uma satisfação para a gente. Se ela está aí dentro e está com medo de sair, que venha com escolta. Não vamos fazer nada com ela.” “Somos um monte de pai de família fazendo papel de bobo”, reclamou Luiz Carlos de Oliveira.

Os ambulantes contam que a comissão de cada produto vendido no evento seria de R$ 0,40, e que a recrutadora ainda fazia exigências, como o uso de sapatos pretos. “Ela tirou entre R$ 120 e R$ 150 mil da gente e ainda ficou com os nosso documentos”, lamentou Prudêncio.

Os vendedores acusaram, ainda, um homem, que seria irmão de Deise, de entregar credenciais e permitir a entrada de apenas alguns vendedores ambulantes. Ao ser abordado pela reportagem, o homem, identificado como Ezequiel Rosa, confirmou ser irmão de Deise, mas afirmou trabalhar para a rede de botequins Informal e não ter relações de trabalho com ela. “Não sei de nada. Se ela errou, não tenho nada a ver com isso. Mas entendo que eles tenham sido prejudicados.”


 

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