Justin Timberlake aposta no acústico
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Justin Timberlake aposta no acústico

Eliana Souza

16 Setembro 2013 | 01h52

Cantor fez um belo apanhado de canções

Foto: Wilton Junior/ Estadão

 

Roberto Nascimento

Empunhando um violão, de camisa branca e chapéu fedora, figurino longe do classudo smoking feito por Tom Ford que tem usado em apresentações este ano, Justin Timberlake subiu ao Palco Mundo com quase quarenta minutos de atraso, ontem, na terceira noite de Rock in Rio. Infelizmente, não fez o show de seu último disco, 20/20 Experience, lançado ainda este ano. O que tivemos foi um belo apanhado de canções, tocado por exímios músicos, liderado pelo competente rei do blue-eyed soul contemporâneo, sem uma identidade visual desenvolvida. A setlist passou pelo álbum com uma impecável versão de Pusher Love Girl, apoiada com harmonias secas e cristalinas pelo que deve ser o melhor grupo de backing vocals em atividade no circuito, além de Suit & Tie e Let The Groove Get In, que JT mostra nos talk shows americanos, desde o lançamento do disco, em março. Nesta, o destaque ficou por conta do fantástico naipe de metais, que lembra All Night Long, de Lionel Ritchie. Mesmo assim, restou ao fãs delirantes (que, diga-se, pouco se importaram com de um show mais aprumado visualmente) ótimas releituras dos medalhões de sua obra: Love Me, Cry Me a River, Señorita e What Goes Around, em versão acústica. Justo, pela qualidade do cantor como performer, que consegue cativar durante boa parte do show, mas um pouco desanimador, sendo que 20/20 Experience não só foi lançado este ano, mas terá um novo volume lançado no fim do mês, com participações dos rappers Drake e Jay-Z.
A impressão que fica, se adicionarmos à apresentação a notícia da rápida saída do País, marcada para as 4 h da manhã desta segunda, via jatinho particular, é que Timberlake não perdeu sono com sua apresentação brasileira, juntou um repertório de improviso, já ensaiado em turnês prévias, e deixou para se preocupar com o que mostrará na América do Norte, a partir do dia 31 de outubro. Timberlake tirou os últimos seis anos de sua carreira musical para concentrar-se em uma bem-sucedida carreira de ator, e completou, em sua volta engomada este ano, um disco calcado em verniz vintage e “soft”, de confissões amorosas e pérolas pop. Das que não estavam na setlist do show, Strawberry Bubblegum certamente fez mais falta, com seu falsete, em meio a acordes brandos, de impacto menos óbvio, que ficaria interessante em frente a uma multidão.
Volta. Três viaturas da tropa de choque da Polícia Militar do Rio de Janeiro esperavam o final do show de Timberlake para escoltar sua comitiva diretamente para o Aeroporto do Galeão. Ele deveria voar do Brasil às 4h30 de hoje

 

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