Jessie J aposta no palco limpo e na música
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Jessie J aposta no palco limpo e na música

Eliana Souza

16 Setembro 2013 | 00h55

 

Carismática, britânica mostra ser produto de escola de canto negro norte-americano (Foto: Wilton Junior/ Estadão)

 

Julio Maria

Valente. Jessie J é uma mulher ousada. Mais uma hora de show e estaria em apuros. Mas, para 60 minutos de duração cravados, deu tudo certo. Ela surgiu se jogando no penhasco, apostando tudo em Price Tag, seu primeiro e ainda maior hit, que a fez conhecida no mundo. Veio mais magra e com os cabelos loiros e bem curtos. Depois, ela explicaria melhor. “Cortei os cabelos por caridade em um programa de televisão. Para cada jovem doente que diz que eu sou sua inspiração, digo que foram eles que me inspiraram.”
A multidão à sua frente parecia inebriá-la. “Vocês foram a experiência mais incrível que eu já vivi.” Carismática e generosa, a ponto de flertar com um de seus fãs e receber um ursinho de pelúcia de outro, ela sabe que tem pouco tempo e tenta usá-lo bem.
A certa altura do show, faz uma espécie de ‘paz do Senhor’ pedindo que cada um abraçasse aquele desconhecido que está a seu lado. Mas o que acontece é mais constrangimento do que entrega. Como uma anti-Beyoncé, sem trocas de figurino ou outras superproduções, apostou no palco limpo (a banda ficava bem atrás) e na música. E boas músicas, como Laserlight, Wild, I Found Lovin, Ain’t Nobody, Emotions, Never Too Much, Abracadabra, Do It Like Dude e Excuse My Rude. Antes do final de Domino, fez uma arrasadora versão para I Don’t Wanna Miss a Thing, um torpedo do Aerosmith.
O único figurino que usou, quando não se enrolou na bandeira do Brasil ou pegou um boné emprestado de um fã, foi um vestido de traços futuristas e cores tropicais, curiosamente escolhido por ela por meio de um concurso lançado na internet meses antes de embarcar para o Brasil. A autora da peça, uma mexicana chamada Zuri Herrera, que ganhou US$ 2 mil pela façanha, explicou ter se inspirado em “pássaros brasileiros que nascem em gaiolas com medo da liberdade”. O concurso escolhia exclusivamente o vestido para a apresentação de Jessie no Brasil.
Jessie mostrou em sua hora de show ser produto de uma escola de canto negro norte-americano, de notas rápidas e agudas cheias de referências das grandes divas do soul. Quando não faz baladas de amor, investe em um hip-hop (presentes em Do It Like Dude e Excuse My Rude) dos novos tempos, embalados, aí sim, por uma superprodução à la, coincidência da noite ou não, Justin Timberlake. Seu show vira muitas vezes a pista de dança eletrônica de David Guetta. Mas aqui, não resta dúvidas, é ela mesmo quem canta. Sem playback.
Alicia Keys. Exuberante, de blusa azul e calça preta, tudo muito justo, Alicia Keys forma com Jesise J, sua antecessora, e com Justin Timberlake, seu herdeiro de Palco Mundo, o bloco mais r&b e soul do Rock in Rio. Ela abriu seu show com Streets of New York, seguiu com Karma, You Don’t Know My Name e, depois, cantou Listen To Your Heart. Veio com dançarinos, banda grande e uma aposta alta na performance sensual.

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