J.K. Rowling revela abuso no passado e defende direito de falar sobre questões trans
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J.K. Rowling revela abuso no passado e defende direito de falar sobre questões trans

Autora de 'Harry Potter', ela escreveu um ensaio em seu site depois de ter sofrido críticas por comentários sobre pessoas trans

O Estado de São Paulo

11 de junho de 2020 | 08h35

A escritora J.K. Rowling defendeu seu direito de falar sobre questões relacionadas aos transsexuais sem medo de ofensas, em um ensaio intensamente pessoal no qual explicou as razões complexas de seu interesse pelo assunto, revelando detalhes dolorosos sobre seu passado.

Há tempos a criadora de Harry Potter é alvo de críticas de ativistas trans, que se incomodaram com algumas de suas postagens em redes sociais — às vezes as críticas tiveram linguagem abusiva e ameaças de violência.

J.K. Rowling (Foto: Carlo Allegri/Reuters)

No ensaio de 3.600 palavras publicado em seu site, a autora explicou em detalhes sua pesquisa e suas crenças quanto às questões transsexuais e as preocupações que tem a respeito de como os direitos das mulheres e as vidas de alguns jovens estão sendo impactadas por certas formas de ativismo trans.

Ela também revelou que se perguntou se poderia ter desejado se transformar em homem se tivesse nascido 30 anos mais tarde e que é uma sobrevivente de abuso doméstico e de agressão sexual.

“Não escrevi este ensaio com a esperança de que alguém tocará violino por mim, nem um pouquinho”, disse ela na conclusão do texto, descrevendo-se como “extraordinariamente afortunada”.

“Só mencionei meu passado porque, como todo outro ser humano neste planeta, tenho um passado complexo, que molda meus medos, meus interesses e minhas opiniões. Nunca esqueço essa complexidade interior quando estou criando um personagem fictício e certamente nunca esqueço disso quando se trata de pessoas trans”.

“Tudo que estou pedindo —tudo que quero— é que uma empatia semelhante, uma compreensão semelhante seja estendida às muitas milhões de mulheres cujo único crime é querer que suas preocupações sejam ouvidas sem receber ameaças e ofensas”. / REUTERS

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