Invasões Bárbaras no Rock in Rio
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Invasões Bárbaras no Rock in Rio

Ana Clara Jabur

25 de setembro de 2011 | 18h50

Roberto Nascimento
e Jotabê Medeiros

Poucos minutos antes do Korzus receber um time de all-stars no palco, Marcello Pompeu, o vocalista da banda, pediu à plateia que mostrasse a ele o símbolo do heavy metal. Imediatamente, um mar de punhos se ergueu, como uma saudação militar de mindinhos e indicadores endurecidos em forma de chifre. Marcello entao pediu o símbolo universal da indginação. 60 mil dedos médios foram hasteados. Mais do que uma bagunça, os dois logotipos do zeitgeist metaleiro são um exemplo do espírito de tribo que dominou o festival no terceiro dia.

Não se viu mais meninas em busca de tietagem, andando pela mesma muvuca que adultos ou rapazes pronto para azarar na pista eletrônica. Não se viu mais emos, indies ou micareteiros. A plateia era, em grande parte, homogênea e a identificação do coletivo com os arquétipos do metal (chifres, caveiras e sangue retratados nas camisas; o peso das guitarras no som) deu ao Rock in Rio, pela primeira vez em três dias, uma cara de festival de rock, embalado por fãs que traçam suas identidades a partir do tipo de som que escutam, em vez de usa-lo apenas como uma forma de extravasar os hormônios. O preto das camisas, aliás, é um bem-vindo neutralizador da agressiva estratégia de marketing do Rock in Rio, que bombardeia a plateia de todos os lados com os luminosos logotipos dos partrocinadores.

Neste domingo, ouve-se urros de empolgação neandertal por todos os cantos da colorida Rock Street, como se a fazendinha de Roberto Medina tivesse sido invadida por bárbaros  – uma figura de expressão, pois os dias mais pacíficos dos últimos Rock in Rios foram os que tiveram a programação mais pesada. Presentes estavam fãs de todas as veias do metal: black, death, doom, gothic, power, stoner, thrash. Todos unidos pela apreciação por Metallica e Motorhead, nomes de onde sairam muitos destes afluentes. “Quando eu era jovem, era mais underground. Gostava de black metal, que é mais demoníaco. Mas estou aqui para ver os ídolos incontestáveis de todos os metaleiros, independentemente de gênero”, contou o paulistano Haroldo Becaro, professor de história que veio ao festival com sua namorada. Em termos de vitalidade, a plateia do metal dá um banho nas dos outros dias. Por mais cafona que seja a estética fantasmagórica e exagerada do gênero, não há falta de eletricidade, entrega e virilidade nas apresentações, qualidades raras nos shows dos ídolos glamorizados do pop atual. A plateia catalisa a energia assassina de seus herois em mosh pits ( o primeiro da noite ocorreu no show do Korzus) e a energia primitiva do rock, o grito de validação tribal, como um coro da Gaviões em dia de clássico, se espalha pelo ar.

Dentro da cidade do rock, o as vestimentas escuras ostentam uma profusão de frases como “O martelo da jústiça vai te esmigalhar”, “Perder toda a esperança é a alcançar a verdadeira liberdade”, em meio às caveiras e o sangue de nomes de bandas pouco conhecidas como Septic Flesh “Carne séptica” e Killswitch Engage “Ativar o gatilho da morte”. Al Qaeda, a seleção da Alemanha, o Cristo Redentor e Seu Madruga também decoram o pano preto do Rock in Rio.

Lá fora, o efetivo policial trai um pouco de preconceito contra os metaleiros, porque tem sido deles alguns dos dias mais pacíficos da história dos festivais de rock, como por exemplo no último Rock in Rio, em 2001.

A organização começa a dar mostras de cansaço no terceiro dia do festival: havia banheiros interditados quando os portões foram abertos, e muito lixo ainda espalhado pelo gramado. O cheiro de urina era muito forte nos banheiros mais próximos do Palco Mundo, e a limpeza ainda estava em progresso enquanto os fãs procuravam aliviar-se, sendo encaminhados a outros lugares.

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