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Gossip canta Lady Gaga e brinca com ‘Avenida Brasil’

Daiane Oliveira

21 de outubro de 2012 | 01h36

Beth Ditto bebe caipirinha, celebra Tina Turner e a dance music e domina a cena, mas Shirley Manson faz show de elegância e sinceridade em festival realizado no Jockey Club de São Paulo

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Jotabê Medeiros – O Estado de S.Paulo

“Desculpe, desculpe, desculpe”, dizia a todo momento, em português, a carismática cantora Beth Ditto, do Gossip, penitenciando-se por ter demorado tanto tempo para vir ao Brasil e por ter dado uns “canos” em festivais anteriores. Mas com um pique de Donna Summer (apesar da banda fraquinha), ela já estava perdoada desde que entrou no palco, saudando a novela das nove com um “oi oi oi” oportuníssimo. Logo a seguir, abriu com Love Long Distance e 8th Wonder, para depois conquistar definitivamente a plateia com um cover de Lady Gaga. “Adoro essa música da Gaga”, disse, no meio da letra.

“Saúde!”, emendava Beth, dando goles num copo de caipirinha. Seu show e seus gritos de guerra dance em canções como Move in the Right Direction foram o ponto alto de um festival um tanto modesto, que tinha os Kings of Leon como atração principal – mas a banda americana soçobrou com um som muito aquém de sua popularidade, inaudível na parte de trás do palco e com as guitarras praticamente anuladas pela amplificação.  Ela ainda homenageou uma pioneira do ramo da diversão, Tina Turner, cantando What`s Love Got to do With It. Ao final, foi para a galera, com bandeira brasileira e tudo nas costas, e beijou fãs enlouquecidos.

Mais sorte teve o bom grupo The Drums, que estava com o som impecável e suas canções desencanadas, com riffs de surf music, pulsão assobiável, aqueceram a plateia para o show do Gossip, que viria a seguir. Os vocais lembram muito o Walkmen, de Nova York, e músicas como I Need a Doctor e Baby That`s Not the Point, sem a menor pretensão, reacenderam a chama do rock indie em todos os quadrantes do Jockey Club.

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Outro destaque da noite foi o Garbage, que mostrou um belo cartão de apresentações para a plateia brasileira em seu primeiro show no País, incluindo o megahit Only Happy When it Rains. O som estava muito melhor do que o do Kings of Leons. Shirley Manson, a cantora e líder do grupo, é uma frontwoman de presença e potência vocal. A diferença entre Shirley e uma Azaelia Banks, por exemplo (que antecedeu o Drums no palco Indie), é que a primeira sabe o que está cantando e sabe o que significa, e a garota do hip-hop ainda está naquela onda de “make some noise”. “Montem uma banda amanhã cedo, é a coisa mais incrível do mundo”, aconselhou Shirley. Bem, desde que não seja para chover no molhado, tá tudo bem.

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O Jockey estava tranquilo e sem atropelos. Havia um DJ numa picape, numa área entre os dois palcos, uma espécie de parada estratégica para quem não estava mais aguentando se deslocar entre um palco e outro. Os banheiros masculinos eram suficientes, mas para as garotas eram insuficientes e havia filas (a logística dos festivais precisa descobrir que é mais complicado para as meninas). A cerveja estava quente em quase todos os bares ainda na metade da noite. Os cambistas trabalhavam lá fora, mas parecia que não foi uma noite boa para eles.

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