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Gilberto Gil encerra a Virada com reggae, forró e axé

Marcio Claesen

06 de maio de 2012 | 21h17

Pedro Antunes – Jornal da Tarde

Era uma caminhada interessante subir a Avenida Duque de Caxias. Os ecos do hard rock veterano da banda Black Oak Arkansas, no Palco São João, aos poucos se misturava com uma brasilidade tropicaliente. A cada passo, a Estação Júlio Pestes e, com ela, o batuque. O rock americano ficava para trás. E o mestre Gilberto Gil agigantava.

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Foi do cantor, compositor e ex-Ministro da Cultura Gilberto Gil a responsabilidade de fechar a Virada Cultural. E, quem melhor que ele para representar um evento tão eclético? Gil é, sim, rock, samba, baião, afoxé, afrobeat. E um tropicalista na essência. O Palco Júlio Prestes, nos outros anos considerado o cenário dos principais shows, nesta 8a edição foi dedicado exclusivamente ao afrobeat, recebendo artistas como Seun Kuti, filho de Fela Kuti, e a big band de destaque no cenário paulistano Bixiga 70.

Como bom veterano, Gil sabe como os grandes públicos funcionam. E a primeira regra a não ser quebrada é a pontualidade. Às 18h, lá estava ele, ao lado da sua banda, preparando-se para fechar grande estilo a Virada Cultural. A estrutura do palco, infelizmente, não ajudou. Faltou potência e equalização no som, que deixou o músico quase mudo em frente a uma multidão que lotava o lugar. O público tentou avisar, mas foi em vão. Longe do palco, o problema era mais evidente. Os telões espalhados pela avenida foram posicionados longe das caixas de som, fazendo com que o público tivesse que escolher entre ver ou ouvir.

Curiosamente, dois carros tentaram atravessar a multidão durante o show. O primeiro, um caminhão de lixo, foi bem sucedido. O segundo, um veículo de passeio, não teve a mesma sorte. O público impediu a passagem e carro precisou voltar o caminho todo em marcha ré.

Nas canções mais lentas, A Paz e a densa (e triste) Drão, toda a emoção de Gil ficava escondida pelo alto volume do baixo e percussão.  Contudo, quando colocou o povo para dançar, o músico foi bem sucedido. De reggae, com as canções de Bob Marley Is This Love e No Woman No Cry (numa versão meio em português, meio em inglês), ao forró e baião com Esperando na Janela e Chiclete com Banana, de Jackson do Pandeiro. Tudo ainda com toques de guitarra roqueira e um baixo funk.

Performático, Gil fechou sua apresentação às 19h35, com Toda Menina Baiana. Saltitando, ele pediu para o público tirar os pés do chão, no melhor estilo de Ivete Sangalo. Quem diria! Gil também é axé. E a caminhada de volta, pela mesma Av. Duque de Caxias, já era sem ecos de rock ou reggae, Gil ou Black Oak Arkansas, era com animadas conversas e as chatas buzinas. O centro se despedia da Virada Cultural de 2012.

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