Futuro e desafios da literatura são discutidos em obra lançada hoje
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Futuro e desafios da literatura são discutidos em obra lançada hoje

Julia Baptista

16 de maio de 2011 | 16h03

“Assim, para não deixar de existir, continuará falando e, mesmo se nada tiver a dizer, a literatura não poderá se calar.” A conclusão de Thais Rodegheri  Manzano, no fim do livro “E Se a Literatura se Calasse?” (Ed. Terceiro Tempo, 129 págs.), resume o ponto de vista da autora sobre a função da literatura e a forma como os romances evoluíram desde a Antiguidade. O livro será lançado nesta segunda-feira, 16, na Livraria da Vila, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo.

Dividido em três capítulos – ‘A era da inocência’, ‘A era da maturidade’ e ‘A era da ansiedade’ –, a obra desafia o leitor a pensar o futuro do romance e a receita pra que ele sobreviva. Essas e outras inquietações sobre o que será da literatura já estavam presentes em algumas obras de Samuel Beckett, como “O Inominável”, de 1951, do qual a autora se vale para nortear o tema central de sua obra.  Nos três capítulos, Thaís tece brevemente a história dos 20 séculos do romance, gênero literário capaz de refletir de forma singular sobre o homem e a sociedade.

Na primeira parte do livro, há uma breve história deste gênero literário: as origens gregas e latinas, o surgimento do romance em prosa, a cristianização, o resgate pelo Iluminismo, a idealização da vida guerreira e o então predomínio do barroco francês.

A segunda parte da obra trata das mudanças radicais pelas quais o romance passou entre fins do século 17 e início do século 18, imerso em uma sociedade em constantes mudanças sociais, econômicas e culturais, em que a Inglaterra teve papel crucial. É neste momento, segundo a autora, que a literatura ganha status de profissão e que o mercado literário entra em ascensão. Nasce a figura do escritor/editor e romancistas passam a refletir o estilo de vida da classe média, que preferia melodramas a obras aristocráticas, como de costume até então.

No último capítulo da obra, Manzano escreve sobre a legitimação do romance como obra literária, o romance russo, o impacto da psicanálise freudiana no pensamento ocidental,  as transformações durante e pós 2ª Guerra Mundial. Hoje, em plena – e controversa – pós-modernidade, qual seria o caminho para o romance?

Thais Manzano é jornalista, escritora, tradutora e professora de História da Literatura. Autora, entre outros, de “Artimanhas da Ficção” (Ed. Terceiro Nome), ensaios sobre 18 obras-primas da literatura.

SERVIÇO

Lançamento “E Se a Literatura se Calasse?”

Segunda-feira, 16 de maio, às 18h30.

Livraria da Vila

Rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.