Festival É Tudo Verdade 2020 dribla quarentena com versão online inédita
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Festival É Tudo Verdade 2020 dribla quarentena com versão online inédita

Na comemoração dos 25 anos, mostra inicia online e realizará evento presencial no mês de setembro

O Estado de São Paulo

20 de março de 2020 | 08h59

A edição do festival de documentários É Tudo Verdade não foi pega de surpresa pela quarentena provocada pelo novo coronavírus. Entre 26 de março e 5 de abril, a mostra de filmes inicia com uma edição online de produções não-ficcionais, abrindo a celebração dos 25 anos do evento.

Já a programação do festival presencial será realizada de 24 a 4 de outubro, no circuito de salas de cinema, de instituições culturais, em São Paulo e no Rio de Janeiro, com títulos inéditos das mostras competitivas e dos debates e palestras, em parceria com o Itaú Cultural, o Spcine Play e o Canal Brasil Play.

‘A Herança da Coruja’, de Chris Marker FOTO: É TUDO VERDADE

Entre os destaques está a série inédita e restaurada A Herança da Coruja, do francês Chris Marker. A partir de 13 palavras gregas, o cineasta investiga a origem de cada um desses termos na Grécia Antiga, como matemática, música e democracia.

Confira a programação completa:

 

A Herança da Coruja (L‘Heritage de la Chouette) Dir. Chris Marker. França, 1989.

Em treze episódios, a partir de treze palavras incorporadas ao vocabulário moderno, o diretor francês Chris Marker (1921-2012) discute, com mais de 50 convidados, o legado cultural e politico da Grécia clássica para o mundo contemporâneo. Com a participação de Angélique Ionatos, Cornelius Castoriadis, Elia Kazan, George Steiner, Giulia Sissa, Jean-Pierre Vernant, Michel Serres e Theo Angelopoulos, entre outros.

Duração: 338 minutos, em 13 episódios de 26 min.

Acesso: www.etudoverdade.com.br e www.itaucultural.org.br.

De 26/3 a 5/4, até 1000 visionamentos.

  1. SYMPOSIUM OU AS IDEIAS RECEBIDAS

Em Paris, Tbilisi, Atenas e Berkeley, historiadores brincam com reconstituições do “symposium”, o banquete grego, em volta de lautas mesas.

  1. OLYMPISM OU A GRÉCIA IMAGINÁRIA

A herança grega reconstituída no imaginário contemporâneo levou a desvios terríveis de leitura em prol de ideologias totalitárias, como o nazismo.

  1. DEMOCRACIA OU A CIDADE DOS SONHOS

Qual é exatamente o significado da palavra democracia quando ela se refere às antigas cidades-Estado ou aos nossos sistemas políticos contemporâneos?

  1. NOSTALGIA OU O RETORNO IMPOSSÍVEL

Ítaca é o icônico e distante lar do qual ninguém deveria se esquecer: essa seria a lição universal da “Odisseia” de Homero.

  1. AMNÉSIA OU O SENTIDO DA HISTÓRIA

Construído sobre testemunhos ou “autópsia” – que, literalmente, significa ver a si mesmo –, nosso conceito de História passou por grandes transformações desde Heródoto.

  1. MATEMÁTICA OU O IMPÉRIO DOS SIGNOS

O espaço geométrico e a linguagem matemática constituem um legado universal deixado pelos gregos. Como articulamos essa lógica perfeita à complexidade das ciências contemporâneas?

  1. LOGOMAQUIA OU AS RAÍZES DAS PALAVRAS

Todos os significados de “logos” vieram de um pequeno território entre Éfeso e Patmos. Segundo Aristóteles, o homem luta com uma arma específica: o discurso. O destino de logos seria a batalha de palavras?

  1. MÚSICA OU O ESPAÇO INTERNO

Entre imitação e criação, a busca pelo belo e harmonioso anima as buscas pessoais dos artistas e serve para grandes esquemas coletivos – as religiões em particular.

  1. COSMOLOGIA OU O USO DO MUNDO

Uma reflexão sobre a criação – cosmogonia divina e a criatividade humana – guia por uma viagem da estatuária grega ao Korai, da Acrópole, exibida em Tóquio, e à Górgona, um espelho da morte.

  1. MITOLOGIA OU A VERDADE DAS MENTIRAS

Há um conjunto de mitos aos quais nos referimos constantemente. Um questionamento sobre sua gênese, seu lugar na psique, sua transmissão e sua natureza.

  1. MISOGINIA OU AS ARMADILHAS DO DESEJO

A concepção grega de sexualidade era muito diferente da atual. O que os gregos pensavam sobre desejo em um mundo em que heterossexualidade e homossexualidade, longe de serem opostos, eram modelos de existência diferentes, mas compatíveis?

  1. TRAGÉDIA OU A ILUSÃO DA MORTE

Grandes números trazidos pelas tragédias gregas nos ajudam a entender os mecanismos de fundação das práticas humanas – todo o caminho até uma sociedade como a do Japão, aparentemente longe da nossa.

  1. FILOSOFIA OU O TRIUNFO DA CORUJA

Em torno da figura metafórica, mas também muito real, da coruja, reflexões entrelaçadas sobre o lugar do pensamento na existência cotidiana e na ação pública – ora com, ora contra o legado grego.

 

AS DIRETORAS NO É TUDO VERDADE

Ciclo inédito de dez documentários nacionais dirigidos por mulheres que marcaram a história do festival. 

Acesso: www.etudoverdade.com.br e www.spcineplay.com.br 

De 26/3 a 26/6. 

Aboio – Dir. Marília Rocha. 2004, 73.

No interior do Brasil, adentrando as extensões semiáridas da caatinga, há homens que ainda hoje conservam hábitos antigos, como o costume de tanger o gado por meio de um canto. Suas vozes ecoam lamentos improvisados e sem palavras, que se prolongam pelos campos do sertão. Melhor documentário da competição de longas-metragens brasileiros, É Tudo Verdade 2004.

O Aborto dos Outros – Dir.: Carla Gallo. 2007, 72’.

Um filme sobre maternidade, afetividade, intolerância e solidão. A narrativa percorre situações de abortos realizados em hospitais públicos, previstos em lei ou autorizados judicialmente, e situações de abortos clandestinos. O filme mostra os efeitos perversos da criminalização para as mulheres e aponta a necessidade de revisão da lei brasileira.

Carmen Miranda – Bananas Is My Business – Dir. Helena Solberg. 1995. 91’.

Descoberta aos vinte anos, a atriz e cantora Carmen Miranda (1909-1955) seduziu o coração dos brasileiros e conquistou os EUA, em Hollywood e nos palcos. Solberg utiliza trechos de filmes, reencenações e entrevistas com amigos e parentes para retratar uma mulher que pagou caro por sua fama e carreira.

Domingos – Dir. Maria Ribeiro. 2008. 72’.

O dia-a-dia de um artista cuja obra se baseia exatamente na vida “simples”, os amores, a velhice, o amor pelo trabalho: esse é o mote de “Domingos”, um documentário sobre o consagrado autor de “Todas as Mulheres do Mundo”.

Dona Helena – Dir. Dainara Toffoli. 2006, 55’.

Helena Meirelles faleceu em 2005, doze anos depois de ter sido “descoberta” pela revista norte-americana Guitar Player, que a colocou entre os 100 melhores guitarristas do mundo, ao lado de músicos como Roger Waters e Eric Clapton. Ela  nasceu no sertão do Brasil e desde criança era apaixonada pela viola. Passou a sua juventude entre comitivas de boiadeiros e prostíbulos, lutando pelo direito de tocar.

Os Melhores Anos de Nossas Vidas – Dir. Andrea Pasquini. 2003, 65’. 

Histórias de preconceito, abandono e superação são contadas pelos moradores do Santo Angelo, uma cidade erguida para o tratamento de hansenianos. O testemunho humano dos moradores remanescentes revela as marcas que ficaram do tempo em que a internação era compulsória. Condenados ao isolamento de uma vida inteira, encontraram no amor e na revolução, na música e no cinema as principais armas para enfrentar seus dramas pessoais.

Mexeu Com Uma, Mexeu Com Todas – Dir.: Sandra Werneck, 2017, 71’.

O título remete a um dos gritos de protesto de mulheres que foram às ruas no Brasil e se organizaram em redes sociais para fazer frente ao machismo e ao conservadorismo. Através de depoimentos de mulheres públicas ou anônimas que passaram por situações de violência, revela-se como, apesar de conquistas legais, a mulher permanece em situação de vulnerabilidade. 

Nasceu o Bebê Diabo em São Paulo Dir. Renata Druck, 2002, 52’.

Uma investigação sobre três lendas urbanas paulistas: O Bebê Diabo, a Loira do Banheiro e a Gangue do Palhaço. Originadas em boatos, foram noticiadas pelo extinto jornal Notícias Populares (NP) em épocas distintas. A partir desta busca, é revelado um universo onde fantasia e realidade se confundem.

O Segundo Encontro – Dir. Veronique Ballot. 2019. 70’. Inédito.

Um dos renovadores da fotodocumental brasileira em seu trabalho para “O Cruzeiro”, Henri Ballot (1921-1997) registrou o encontro inaugural entre os irmãos Villas-Boas e a tribo Kayapó em 1953 no Xingú. Mais de seis décadas depois, sua filha retorna à tribo, reencontrando índios retratados por Ballot.

Um Passaporte Húngaro – Dir. Sandra Kogut. 2001, 72’.

Através do pedido de um passaporte, Sandra Kogut parte em busca da história da família, dividida entre dois mundos e dois exílios: aqueles que se foram e aqueles que permaneceram, os imigrantes que chegaram ao Brasil na década de 40 em decorrência da 2ª Guerra e os que não puderam sair da Hungria.

ANO 1: A SAFRA BRASILEIRA NO É TUDO VERDADE 1996

Três longas-metragens e seis curtas-metragens nacionais que foram convidados a participar em 1996 da primeira edição do É Tudo Verdade, ainda um evento não-competitivo.

Segundo Amir Labaki, “’Ano 1 – A Safra Brasileira do É Tudo Verdade 1996’ reflete o momento de ignição das transformações que marcaram desde então a produção audiovisual não-ficcional no país”.

Acesso: www.etudoverdade.com.br e www.itaucultural.org.br.

De 26/3 a 5/4.

 

LONGAS-METRAGENS

Carmen Miranda – Bananas is my Business – Dir.: Helena Solberg. 1995, 91’. 

Descoberta aos vinte anos, a atriz e cantora Carmen Miranda (1909-1955) seduziu o coração dos brasileiros e conquistou os EUA, em Hollywood e nos palcos. Solberg utiliza trechos de filmes, reencenações e entrevistas com amigos e parentes para retratar uma mulher que pagou caro por sua fama e carreira.

No Rio das Amazonas -Dir.: Ricardo Dias. 1995, 76’.

Uma viagem na Amazônia com a participação do naturalista e compositor Paulo Vanzolini (1924-2013). O filme trata particularmente da ecologia da região, com ênfase no modo de vida das populações ribeirinhas. 

Yndio do Brasil – Dir.: Sylvio Back. 1995, 70’.

Um ensaio a partir de uma centena de filmes que mostram como o cinema retratou os índios brasileiros desde que foram filmados pela primeira vez, em 1912.

CURTAS-METRAGENS

Criaturas que Nasciam em Segredo – Dir.: Chico Teixeira. 1995, 21’.

A vida de cinco anões que moram na cidade de São Paulo, sob a ótica do universo dos bufões, pessoas marcadas pelo estigma de garantir diversão de outras.

Maracatu, Maracatu – Dir. Marcelo Gomes. 1995, 14’.

As diferenças culturais entre as várias gerações de integrantes do Maracatu rural, ritual afro-indígena que tem suas origens nos engenhos de açúcar de Pernambuco.

São Paulo – Cinemacidade – Dir.: Aloysio Raulino, Marta Dora Grostein, Regina Meyer. 1994, 30’.

A cidade em cinco atributos: transformação, anonimato, multidão, precariedade e dimensão.

São Paulo – Sinfonia e Cacofonia – Dir.: Jean-Claude Bernadet. 1994, 40’.

Ode de amor e ódio à cidade de São Paulo.

Un Poquito de Água – Dir.: Camilo Tavares e Francisco “Zapata” Betancourt. 1996, 27’.

A contraposição entre a visão da água como elemento sagrado, nas culturas mítico-religiosas, e sua utilização industrial nas sociedades modernas que cultuam o desenvolvimento.

Vala Comum – Dir.: João Godoy. 1994, 30’.

A partir de uma vala comum clandestina no cemitério de Perus, um passado oculto emerge para exumar parte da história recente do país. 

A SITUAÇÃO CINEMA – Mostra On-line no Itaú Cultural 

Em parceria com o É Tudo Verdade, o Itaú Cultural apresenta um ciclo exclusivo de cinco título brasileiros dedicados à fruição cinematográfica, no site www.itaucultural.org.br. 

Acesso: www.etudoverdade.com.br e www.itaucultural.org.br.

De 26/3 a 5/4.

Cinemagia: A História das Videolocadoras de São Paulo – Dir.: Alan Oliveira. 2016,100’.

A saga de um templo perdido da cinefilia: a videolocadora, nossas pequenas cinematecas de bairro varridas do mapa pela oferta audiovisual via internet.

Cine Mambembe: O Cinema Descobre o Brasil – Dir: Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi. 1998, 56’.

Um casal de cineastas documenta o batismo ou a reconexão com a experiência cinematográfica dos frequentadores, aqui no Norte e Nordeste, das projeções de filmes em espaços não-convencionais com que por mais uma década percorreram o país.

Cine São Paulo – Dir.: Ricardo Martensen e Felipe Tomazelli. 2017, 78’.

A batalha pela reforma e reabertura de um secular cinema em Dois Córregos, no interior de São Paulo, pelo apaixonado empenho de seu dono septuagenário, seu Chico, um personagem que parece herdado de um antigo clássico do neo-realismo italiano.

O Homem da Cabine – Dir.: Cristiano Burlan. 2007, 90’.

Um retrato de uma dezena de operadores cinematográficos, flagrados nos últimos momentos da projeção de filmes em celuloide, antes da radical conversão dos circuitos à tecnologia digital.

Quando as Luzes das Marquises se Apagam Dir. Renato Brandão. Brasil, 2018.

A ascensão e queda da Cinelândia paulistana, o elegante e popular circuito de salas de cinema de rua, desenvolvido sobretudo entre os anos 1930 e 1950 e hoje virtualmente liquidado, com a migração de parte das telas para os shopping-centers. 

OS PRIMEIROS PREMIADOS

Complementando o ciclo já iniciado mas interrompido nas Terças do Itaú Cultural, três longas-metragens e um curta-metragem premiados nas primeiras edições do É Tudo Verdade. 

Acesso: www.etudoverdade.com.br e www.itaucultural.org.br.

De 26/3 a 5/4.

A Pessoa É Para o Que Nasce – Dir.: Roberto Berliner. 1998, 6’. 

A vertigem da visão. A ausência que provoca excesso. O compromisso com a sobrevivência. A experiência da vida através da falta. Três irmãs cegas cantam em troca de esmola em Campina Grande, Paraíba.

Melhor filme da competição brasileira do É Tudo Verdade 1999.

Nós Que Aqui Estamos, Por Vós Esperamos – Dir.: Marcelo Masagão. 1998, 73’.

Memória do século XX. Biografias reais e ficcionais de pequenos e grandes personagens dos últimos cem anos discutem a banalização da morte – logo, a banalização da vida. Melhor filme da competição internacional do É Tudo Verdade 1999.

A Negação do Brasil – Dir.: Joel Zito Araújo. 2000, 90’.

Os tabus e estereótipos sobre o negro na telenovela brasileira. Baseado em sua tese sobre o assunto e em suas lembranças, o cineasta analisa as influências das telenovelas brasileiras nos processos de identidade dos afro-brasileiros. Melhor filme da competição brasileira do É Tudo Verdade 2001. 

Rocha que Voa – Dir.: Eryk Rocha. Brasil- Cuba, 2002, 94’.

Um ensaio sobre as reflexões do cineasta Glauber Rocha (1939-1981), um dos mais importantes realizadores do século 20 e pai do diretor, num dos períodos menos conhecidos de sua vida: o exílio em Cuba, entre 1971 e 1972. Melhor filme da competição brasileira do É Tudo Verdade 2002.

HOMENAGEM A JOSÉ MOJICA MARINS

Maldito – O Estranho Mundo de José Mojica Marins – Dir. André Barcisnki e Ivan Finotti. 2000, 70 min.

A vida e carreira de José Mojica Marins (1938-2020), um dos pioneiros da produção independente brasileira e criador de um dos maiores personagens do cinema nacional, o Zé do Caixão.

Mojica na Neve: Esta Noite Encarnarei em Sundance. Dir. André Barcisnki, André Finotti e Ivan Finotti. 2001, 13 min. 

Documentário de curta-metragem sobre a acolhida a Mojica pela Meca do cinema independente americano, o Sundance Festival, para a projeção especial de “Maldito”.  

Acesso: www.etudoverdade.com.br e www.spcineplay.com.br. 

De 26/3 a 5/4.

 

CINEASTAS DO REAL

Numa parceria entre o É Tudo Verdade e o Canal Brasil, acesso liberado no Canal Brasil Play às duas primeiras temporadas do programa de entrevistas com 26 dos principais documentaristas brasileiros conduzidas pelo diretor do festival, o crítico Amir Labaki.

CINEASTAS DO REAL – Dir. Amir Labaki. 2015 e 2017, 26 episódios de 25 minutos.

Acesso: www.etudoverdade.com.br e https://globosatplay.globo.com/canal-brasil/cineastasdoreal/

Até 30/4.

Temporada 1 – 2015

Vladimir Carvalho, Sylvio Back, Jorge Bodanzky, Helena Solberg, Sílvio Tendler, João Batista de Andrade, Arnaldo Jabor, Eduardo Escorel, Aurélio Michiles, Roberto Berliner. Carlos Adriano, João Moreira Salles.

Temporada 2 – 2017

Jorge Furtado, Zelito Viana, Cao Guimarães, Lucia Murat, Joel Pizzini, José Joffily, Maria Augusta Ramos, Eryk Rocha, Kiko Goifman, Ugo Giorgetti, Hermano Penna, Sergio Muniz, Vincent Carelli.

 

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