Exército de garis invade Cidade do Rock
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Exército de garis invade Cidade do Rock

Eliana Souza

16 Setembro 2013 | 16h16

No dia seguinte aos shows, a Cidade do Rock estava irreconhecível (Foto: Jotabê Medeiros)

Jotabê Medeiros

 

Os garis trabalhavam em festa na manhã do dia seguinte ao primeiro final de semana na Cidade do Rock, agora quase inteiramente vazia (até a quinta, quando a farra recomeça). Sem titubear, os trabalhadores reunidos elegeram os artistas “sujismundos” do festival, aqueles nos quais, durante seus shows, foram produzidos mais detritos. Beyoncé e Ivete lideram com folga, seguidas do Capital Inicial. Justin Timberlake foi “limpinho”. “Ivete levantou o público e também levantou a sujeira todinha”, brinca Patricia Fernandes, operária da empresa Nova Rio, que trabalha na limpeza. “Deu até dor nos quartos de tanto trabalhar na sexta-feira”, diverte-se.
Trabalham febrilmente no meio do público, durante os shows, e continuam o serviço depois que todo mundo vai embora, sob o sol e o calor de 32º. Na manhã seguinte ao primeiro final de semana, sumiram com as guimbas de cigarro, os copos de chope, os chicletes grudados no chão, os adesivos de marketing das empresas patrocinadoras. A Cidade do Rock estava irreconhecível. Pouquíssimas folhas de papel no chão, nada das gigantescas montanhas de lixo produzidas nos últimos nos três dias. Apenas uma repórter da Globo gravando uma entrada ao vivo no telejornal local.
O pequeno exército de garis e máquinas de limpeza varrem os últimos vestígios que o pop deixou no gramado sintético. “Tinha muito preservativo também, muitas camisinhas. Como é que esse povo consegue? Deve ser dançando para lá, dançando para cá…”, brinca o gari Leandro Silva Souza. Muito vestígio comum, mas também estranho, como baganas de maconha e uma cápsula com pó branco em um dos banheiros. “Eu achei um pote com frutas num canto, bem preservadinho, tipo um despacho de macumba”, disse Leidiana Maria, que diz ter vibrado ao encontrar na pista a Wanessa Camargo e a Carla Marins.
Segundo a assessoria de imprensa do festival, o material recolhido nas mil lixeiras espalhadas pela Cidade do Rock representou 11 toneladas e será separado posteriormente por cooperativas de reciclagem cadastradas na Comlurb. Há uma estimativa de que os resíduos de plástico representem 49,92%, papel 45,26%, latas 3,01% e vidro 1,81%.
No dia 14 de setembro foram coletados cerca de 23 mil quilos de resíduos em toda a Cidade do Rock. Conforme apregoa o Plano de Sustentabilidade do festival, o material teria sido devidamente separado. Coordenado pelo Instituto Doe Seu Lixo, o trabalho catalogou 1.130 quilos de latinhas, três toneladas de papelão, 750 quilos de vidro e 7.310 toneladas de lixo orgânico (que será enviado para a Usina do Caju para ser transformado em adubo).

Na edição de 2011 do Rock in Rio haviam sido recolhidas 331 toneladas de lixo acumulados durante os sete dias de evento.