As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Esperanza promove arrastão sexy no BMW Jazz Festival

João Luiz Sampaio

09 de junho de 2013 | 15h45

Eduardo Nicolau/Estadão

Jotabê Medeiros

Ela se diverte com seu poder de sedução sobre a plateia (que não é pequeno), com seu extraordinário domínio técnico, com o conhecimento como bandleader – e também com a música, o que é o melhor. Seu jazz é único e inovador, e parece que não vai estancar por aqui.
Esperanza Spalding foi aplaudida de pé na noite de quinta-feira, no BMW Jazz Festival, após tocar 6 das 12 canções do seu premiado disco mais recente, Radio Music Society. As outras duas foram carícias para os espectadores brasileiros: Inútil Paisagem, de Tom Jobim (gravada em seu disco anterior, com arranjo de beat box e scat singing) e o intro funky Us.

Radio Music Society integra uma trilogia que só teve duas partes até agora (a primeira foi o disco anterior, Chamber Music Society). “O que isso significa é que eu pretendo deixar todas as expressões da sociedade falarem”, ela explicou.

Por expressões da sociedade, compreenda-se uma fusão do jazz com o mais moderno R&B, o pop, o soul e o funk, gêneros alternados entre o baixo acústico e o elétrico e uma big band disciplinada (até demais) ao fundo. No meio de tudo, ela chama ao centro do palco o seu vocalista de apoio, Chris Turner, para um mélange na canção com tintas ativistas Black Gold. “Você é de ouro, baby!/Ouro negro com uma alma de diamante! /Pense em toda a força que há em você/No sangue que te atravessa/Homens ancestrais, poderosos homens/Construtores da civilização”.

Esperanza pode ser rebuscar tanto na tradição do jazz hollywoodiano (Cinnamon Tree) quanto dolorosamente funky & fusion (Endangered Species, cover de Wayne Shorter). Parece ter um controle brutal sobre cada nota do seu concerto, e às vezes até parece meio cruel de tão precisa.

Em 2011, Esperanza bateu Justin Bieber e Drake na disputa pelo Grammy de melhor artista iniciante. Já era uma veterana, entretanto. O tempo só a sofistica. Ela está mais chique, ela se veste bem, ela é extrovertida e simpática, ela é a mais bonita do jazz na atualidade. Tudo isso seria uma inútil paisagem, se além de tudo ela não fosse um extraordinário talento. Em progresso.

Antes de Esperanza e seu arrastão sexy, passou pelo festival um quarteto memorável – só que, em oposição a Esperanza, dedicando-se exclusivamente à generosidade do ato de tocar baladas memoráveis. Foi o James Farm (integrado pelo saxofonista Joshua Redman, o pianista Aaron Parks, o baixista Matt Penman e o baterista Eric Harland). Em apenas 7 números musicais, extraídos do seu único disco (James Farm), o quarteto levou o público por uma viagem melódica e harmônica inigualável, um dos grandes acontecimentos do festival.

O James Farm evoca algumas experiências já vividas, como as que marcaram Weather Report e Sphere. A excelência de Joshua Redman no sax tenor é amplamente conhecida, mas a junção de seu som com a batida sacrílega do pastor Eric Harland e a coesão absurda de Aaron Parks impõe um novo jazz ensemble como imperdível nos dias atuais.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: