Entrevista: Jerry Adriani, a dias de completar 70 anos, falava sobre desentendimento com Elis Regina e o fim da Jovem Guarda
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Entrevista: Jerry Adriani, a dias de completar 70 anos, falava sobre desentendimento com Elis Regina e o fim da Jovem Guarda

Pedro Antunes

23 Abril 2017 | 18h22

Em janeiro de 2017, o repórter Julio Maria, do Caderno 2, desligou o telefone e encerrou a entrevista que fazia com Jerry Adriani, prestes a completar 70 anos, com um sorriso no rosto. “Nossa, como ele está bem”, falou o repórter.

Jerry Adriani (Foto: Thiago Queriroz/Estadão)

Jerry Adriani (Foto: Thiago Queriroz/Estadão)

Adriani completaria 70 anos dois dias depois da publicação da entrevista, nas páginas de O Estado de S. Paulo. E exibia uma expressão saudável. Tinha a cabeça cheia de planos.

Internado no Hospital Vitória, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, três meses depois daquela entrevista, o cantor anunciou que estava com câncer, em nota publicada nas redes sociais.

Na tarde deste domingo, 23, Jerry Adriani morreu, com seus 70 anos recém-completados.

Adriani chegava a mais um aniversário cheio de planos para o futuro. Eram vários.

Um deles, inclusive, incluía a sua antiga relação com o com Raul Seixas – ou melhor, Raulzito: “Eu conheci Raulzito, nunca tive nada com Raul Seixas”.

Adriani lançaria, pelo selo Discobertas, um álbum com 15 músicas criadas por Raul entre os anos 1967 e 1971.

Planejava também lançar uma biografia, preparada com o pesquisador Marcelo Fróes (dono, aliás, do selo Discobertas). A ideia era que a publicação chegasse às livrarias ainda em 2017.

O processo de voltar aos cantos mais obscuros da memória foi surpreendentemente difícil para Adriani. “Eu não tinha a ideia da dificuldade de fazer um livro como esse”, disse. “Quando vem 1964 e eu viro Jerry Adriani, começo a misturar muito a primeira pessoa do singular com a primeira do plural. Tive de procurar alguém para me ajudar”.

Na entrevista, Adriani também olhou para trás. Ele se lembra do bombardeiro enviado pela classe artística na década de 1960 por ser roqueiro. Elis Regina, conta ele, o desprezou.

“Eu a conhecia, éramos colegas de emissora, ela não poderia me tratar daquele jeito.”

Certa vez, na fila do cachê da TV Record, puxou assunto com a cantora. “E aí Elis, como estão as coisas?”. Elis o ignirou.

Curiosamente, alguns anos mais tarde, voltaram a se encontrar no elevador de uma gravadora. Elis, acompanhada do marido e músico Cesar Camargo Mariano, tentou uma conversa.

“Oi Jerry Adriani”, disse ela.

Ele não respondeu.

“Jerry, ela está falando com você”, disse Cesar.

Adriani se manteve em silêncio.

“Não vai responder?”

“Não Cesar, e ela sabe porquê.”

O músico, por fim, disse ainda não ter entendido o motivo pelo qual o Programa Jovem Guarda, em 1968. A transformação de Roberto Carlos em um cantor romântico, deixando a pose roqueira para trás, não lhe convencia. “Afinal, por que acabaram com aquele programa quando o movimento ainda estava em alta?”, questionava.

E completou: “E por que não tentaram um outro apresentador para o programa? A Jovem Guarda, ao contrário do que pensam, incomodava a MPB da esquerda mas também a ditadura, a direita. Nós estávamos contestando os costumes sociais.”

Para ler a entrevista completa, clique aqui. 

Mais conteúdo sobre:

Jerry Adrianiraul seixasmúsica