Dupla de As Bahias e a Cozinha Mineira faz ‘ABZ’ musical em programa de entrevistas
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Dupla de As Bahias e a Cozinha Mineira faz ‘ABZ’ musical em programa de entrevistas

O Estado de São Paulo

19 Novembro 2018 | 13h13

Por Pedro Rocha, especial para o Estado

Do A de Anelis Assumpção ao Z de Zeeba, passando pelo N de Negra Li ou o T de Tulipa Ruiz. O novo programa da dupla Raquel Virginia e Assucena Assucena, ABZ da Música, traz entrevistas com os mais diversos artistas musicais brasileiros, selecionados pela inicial do nome artístico. A atração vai ao ar às quarta-feiras, às 22h45, no canal pago Music Box Brazil.

O programa é a estreia de Raquel e Assucena, vocalistas da banda As Bahias e a Cozinha Mineira, revelação da MPB nos últimos anos, como apresentadoras de TV. Com direção de Joana Mendes da Rocha, ABZ da Música tem, em sua primeira temporada, 26 episódios de 15 minutos.

A atração foi criada por Cris Lobo e Anna Butler, que foi a responsável por convidar as apresentadoras. De acordo com Assucena, a paixão inicial de Butler foi Raquel. “Ela estava com a ideia de um programa de música, com entrevistas, e se apaixonou pela Raquel”, conta a cantora, em entrevista ao Estado, por telefone. “Depois ela convidou a mim. De início ela ficou com medo de uma programa com duas apresentadoras, mas foi a melhor fórmula, virou um grande bate-papo.”

Para Assucena, que admite ter ficado com medo do desafio, à princípio, o novo programa tem um grande diferencial. “Ninguém melhor do que quem está na música para fazer um programa assim”, ela acredita. “Parece que estamos em casa, numa festa ou reunião com outros músicos. O que o público vê é um papo que normalmente estaria nos bastidores.”

Raquel e Assucena com B Negão no programa ‘ABZ da Música’. Foto: Music Box Brazil

Para ela, a música brasileira precisa de espaços para ser celebrada na televisão. “Precisamos de bons programas para falar da música brasileira, que é uma das mais poderosas do mundo”, elogia. “Temos um preciosismo que nos diferencia das outras línguas. Falar da nossa música é uma necessidade, é algo político.”

As conversas fluem naturalmente, as apresentadoras afirmam. Mas, antes de estarem frente a frente com os convidados, Raquel diz que há uma longa pesquisa. “Usei meus dons de estudante de História e pesquisei a vida dos convidados”, diz a cantora, que procurou fugir de assuntos clichês e partir para conversas mais filosóficas. “Quis trazer temas que nunca vi esses artistas falando na TV.”

Alguns dos artistas já eram velhos conhecidos das apresentadoras, mas outros foram encontros inusitados. “A gente sugeriu alguns, mas não poderíamos escolher todos, se não iria ficar apenas o nosso Clube da Luluzinha˜, acredita Assucena. Por isso a decisão de se dedicar às pesquisas. “O Jota Quest, por exemplo, talvez não pensássemos, mas conversamos sobre questões de mercado e show biz.”

As Bahias

As novas parcerias na tela acabaram resultando, também, em parcerias nos palcos. “As conversas muitas vezes geram criação. Já fizemos dois shows com o Odair José”, conta Assucena. As cantoras já conversam sobre a possibilidade de novas temporadas e desejam ampliar ainda mais o leque de convidados, passando por artistas de funk e da música sertaneja, que ficaram de fora dos primeiros programas.

Para Raquel, o desafio de apresentar o programa representa a essência de sua banda, As Bahias e a Cozinha Mineira. “Estamos sempre trabalhando muito e temos uma tendência a nos renovar”, diz. “Estamos preparando ainda mais coisas para o ano que vem.”

Já no final de novembro, no dia 30, o grupo liderado por elas vai lançar uma música inédita, intitulada Das Estrelas. No início do ano, vem uma nova turnê e um novo álbum de estúdio. “Ainda não podemos falar muito, mas o disco tem um recorte muito lindo”, garantem. “É sempre importante manter a atividade e os pés no chão. Vai ser uma nova fase”, diz Raquel.

A cantora se refere, também, ao novo momento político do País. Apesar de celebrarem o espaço conquistado por artistas transexuais, como elas, na televisão brasileira, Raquel e Assucena se dizem preocupadas em relação aos recentes relatos de violência contra pessoas LGBT em todo o Brasil, desde o pleito de outubro. “Faltam investimentos em políticas públicas para nos dar a condição de sobrevivência”, afirma Raquel. “Temo por esse momento. Conquistas que já eram escassas podem agora ser extintas”, acredita. “Ao mesmo tempo em que comemoramos o programa, é um momento de observação. A atenção tem que estar redobrada.”

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