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Disparos políticos de João Ubaldo Ribeiro e Bernardo Carvalho na Feira do Livro de Frankfurt

Ubiratan Brasil

12 de outubro de 2013 | 15h05

Ubiratan Brasil – Enviado especial a Frankfurt

“A maior ameaça para a democracia brasileira atual são os evangélicos – eu me sinto mais ameaçado por eles que pela corrupção.” Foi com tal posicionamento incisivo e polêmico que o escritor Bernardo Carvalho conseguiu dar mais destaque ao debate em que participava ao lado do também escritor Michel Laub, no final da tarde deste sábado, na Feira do Livro de Frankfurt, cuja tema era ruínas subjetivas. Ao final do encontro, um senhor procurou Carvalho para criticá-lo e dizer que sua opinião era reducionista.
O tema foi tratado nos últimos dez minutos do debate. Depois de os dois autores comentarem sobre seu processo de escrita e interesses artísticos, Carvalho foi perguntado por um alemão da plateia sobre sua opinião a respeito das movimentações de rua que sacudiram o Brasil, especialmente entre junho e julho. O escritor disse que participou de três manifestações, em São Paulo.
“Na primeira, não vi o País realmente representado, pois só havia gente bonita, da classe média alta paulistana. A segunda foi para comemorar a conquista defendida na primeira, a redução da taxa de transporte público, e, novamente não foi representativa, apesar de ter muita gente, pois era contra a corrupção. Ora, todo mundo é contra a corrupção, mesmo José Sarney e Paulo Maluf”, disse.
Já a terceira, que criticava o deputado e pastor Marco Feliciano não reuniu mais que mil pessoas, a maioria gays. “Novamente, o Brasil não foi representado, mas por falta de pessoas, justamente em uma passeata que tinha potencial, pois criticava contra um fato real”, disse. “Os evangélicos não participaram de nenhuma manifestação, apesar de formarem o movimento político mais forte do Brasil”, arrematou, para então apontar os evangélicos como uma ameaça para a democracia.

Mais cedo, em um debate que reuniu os autores João Ubaldo Ribeiro e João Almino, o tema político também ocupou espaço relevante. O encontro teve como tema quase prioritário a capital Brasília, cidade que inspira uma obra de Almino, Cidade Livre.

Para ele, que nasceu na época da construção da cidade, a Brasília que interessa é a dos migrantes, daqueles que vieram construir a cidade. “Busco uma descrição dos problemas enfrentados por essas pessoas e não pelo tema político, o que seria mais óbvio”, disse ele.

Foi o suficiente para Ubaldo, cronista do Caderno 2, iniciar um forte comentário. Ele disse que se sente “péssimo” com Brasília, mas não por conta da população ordeira que mora lá, mas sim “a população desordeira e parasitária que mora lá, na esfera política”. Ele também criticou a “pouca modernidade” de seu projeto arquitetônico, “que além de tudo teve o efeito colateral de isolar Brasília das grandes multidões reinvidicatórias como agora se viu”.

Não satisfeito, João Ubaldo considerou Brasília um “monumento a ideologias passadas, algo que hoje não existe e ninguém faria”. E completou: “Não é à toa que observadores de todas as áreas do mundo a consideram uma má cidade”.

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