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Da fila do busão até o coração da área VIP numa sexta-feira, 13

Eliana Souza

13 Setembro 2013 | 23h09

Jotabê Medeiros

É uma linha tênue a que separa um despossuído de um bacana. Ao menos no trajeto que leva à Cidade do Rock numa sexta-feira, 13. De 2013. Memorável ano do reinado de Anitta e do ‘Funk do Bigode’. No bolso, dois ingressos para a área VIP. O desafio era chegar até ela com uma batida de carros no meio do caminho e uma estátua gigante de Miss Liberty observando o martírio dos mortais na avenida.

Saindo da Av. do Pepê, na Barra, por volta das 17 h, tentando achar um táxi. A maioria estava presa no trânsito e os que não tinham ninguém dentro faziam o clássico gesto de lotado. Os únicos que paravam queriam negociar o trajeto. Até que um filho de Deus deixou subir, mas confidenciou que o melhor seria ir até o Terminal Alvorada para pegar o ônibus do evento.

No terminal, os atendentes riram sarcasticamente quando uma grávida tentou atendimento preferencial. Não teve jeito: o preço de R$ 6 por trajeto era bem mais em conta do que o que o motorista do hotel oferecera como “serviço especial”: R$ 400 (levar e buscar). Chegou a R$ 160 só para levar, mas aí estouraria o orçamento de duas semanas de rock.

Nos ônibus, a leitura dos cartões é demorada, tem de esvaziar o crédito para depois autorizar. Isso fazia a fila aumentar, mas a quantidade de ônibus do terminal até o Rock in Rio é satisfatória. Os terminais automáticos que alimentam o Riocard não estavam ativos, em sua maioria, aumentando as filas.

Finalmente o ônibus encheu. Pronto para sair. Mas havia um porém: o time que entrou era, basicamente, de fãs de Ivete Sangalo. “Hoje é dia de Ivete!”, berravam. Até a roda-gigante do festival, lá longe, ouvia. Em seguida, emendavam o ‘Funk do Bigode’. No instante seguinte: “Prepara que agora é hora do show das Poderosas!”. Fanáticas ecléticas, não pararam um minuto. Um homem tentou atravessar correndo a Avenida Ayrton Senna. Mr. Magoo do rock, o sujeito deu uma trombada na lateral do ônibus.

O funk continuava forte no ônibus e até havia improvisos. “Não para, não para, não para, motorista!”, gritavam as meninas. “Tu é patricinha!”, acusava uma amiga a outra. Que respondia: “Patricinha é tu, que pega metrô para ir do Leblon até o meio do Leblon!”.

Finalmente, o ônibus chegou. Um serviço bom, no final das contas, malgrado o problema com os ouvidos. Os táxis não entram na Cidade do Rock e, a certa altura, os carros ficam para trás, impedidos de entrar.

Ao chegar à entrada da área VIP, uma pulseira rosa com um chip que, encostada no painel, acende uma luz azul. Tudo azul, vai em frente! Logo na entrada, uma grande lufada de ar condicionado e cones de nozes caramelizadas. Bufês gigantescos. Banheiros sobrando. Flores…

Num canto, Lavínia Vlasak, no outro, o maestro Roberto Minczuk. Lá fora, o telão é quase um cinemão particular da área VIP. Frejat ali na frente parece íntimo dizendo que não é adivinho, não saberia o que Cazuza estaria fazendo hoje se fosse vivo. “Mas certamente estaria adorando essas manifestações do povo nas ruas.”

Mas aí vem a primeira grande decepção da noite: a Fátima Bernardes caminha sozinha pela área de estrelados sem o Bonner. O marido está trabalhando, obviamente. Ela se livrou de um pepino noturno, quebrou a mística do Casal Telejornal, mas não combina sozinha naquela imensidão de ar condicionado e canapés. Alguém pode dar uma folga ao Bonner? Ao menos para o Springsteen?

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