Coronavírus fecha as portas do desfile de Armani, na Milão Fashion Week
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Coronavírus fecha as portas do desfile de Armani, na Milão Fashion Week

Ubiratan Brasil

24 de fevereiro de 2020 | 09h51

A rápida disseminação do coronavírus na Itália interrompeu os desfiles de moda e gerou ansiedade entre os profissionais de moda de todo o mundo reunidos na Milan Fashion Week, que acontece próximo de um dos principais focos da epidemia.

No desfile de Giorgio Armani, os modelos desfilaram na passarela excepcionalmente sem plateia – jornalistas e compradores puderam acompanhar o evento ao vivo, mas pelas redes sociais. Armani tomou a decisão minutos antes do início do desfile, preferindo um teatro vazio, por preocupações com a saúde dos convidados.

Proteção. O designer Giorgio Armani põe uma máscara antes do início do desfile de sua marca. Foto Alessandro Garofalo

A diretora artística da Conde Naste, Anna Wintour, no entanto, ocupou seu lugar habitual na primeira fila da Dolce & Gabbana, em frente a um grupo de influenciadores Tik-Tok das mídias sociais globais. Nenhum deles sentiu-se intimidado pelo vírus que espalhou cerca de uma dúzia de cidades do norte da Itália. Mas, na plateia, diversas pessoas usaram máscaras de proteção.

Máscara. Algumas pessoas que acompanharam o desfile da Dolce & Gabbana se protegeram. Foto Antonio Calanni/AP

A esperada apresentação das coleções Genius de Moncler, prevista para domingo, 23, foi, por fim, suspensa. “O mundo inteiro estava em Milão nestes dias para a Fashion Week, estivemos em contato todos os dias com centenas de pessoas e, se pensarmos em todas essas modificações, dá calafrios”, disse uma mulher que trabalha para a Fendi.

A 60 quilômetros de Milão localiza-se a cidade de Codogno, uma das principais fontes da epidemia de coronavírus, que deixou dois mortos na Itália e levou as autoridades a decretar quarentena em 52 mil habitantes em 11 cidades do norte do país.

A Semana de Moda de Milão reúne cerca de 25 mil profissionais que, desde domingo, voltaram a viajar ao redor do mundo, aumentando o risco de transmitir o vírus se tiverem sido infectados durante desfiles, coquetéis e festas. “Todas as recomendações que nos fazem agora não existiam há poucas horas e muitos jornalistas, fotógrafos, compradores que estavam na Fashion Week já foram embora ou retornaram aos seus países ou a Paris, onde a semana de moda começa nesta segunda-feira”, afirmou a funcionária da Fendi. “Quando descobrimos, no domingo, que houve desfile a portas fechadas, percebemos que as coisas estavam ficando sérias. Não sabíamos se a medida era excessiva ou necessária”, completou um funcionário da Armani.

No sábado, os desfiles deste grande evento de moda foram realizados como se nada acontecesse na capital lombarda. Para mostrar que a vida continua, Bottega Veneta fez sua festa no sábado para comemorar a nova coleção, mas, entre um baile e outro, todos consultavam o celular para checar as últimas notícias.

“O aviso está se tornando alarmismo. Devemos ter cuidado para não ceder ao pânico. Nossas viagens a Paris são mantidas e, enquanto nossa chefia não der uma ordem contrária, o trabalho continua”, afirmou um jornalista italiano de uma grande revista de moda.

Os fotógrafos localizados no pequeno palco do pódio do desfile de Hugo Boss, realizado no domingo, foram cuidadosos em relação à superlotação à qual sua profissão está acostumada. “Somos cuidadosos, respeitamos as regras básicas de higiene, evitamos tossir, isso é visto como algo que aflige a todos”, observou o fotógrafo de uma grande agência internacional. “Se as concentrações são proibidas na região, nos perguntamos por que os desfiles, que concentram tantas pessoas, não são cancelados”, acrescenta. / Com Agências Internacionais

 

 

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