Com Florence, o pop transformado em new age
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Com Florence, o pop transformado em new age

Eliana Souza

15 Setembro 2013 | 00h10

Roberto Nascimento

A transformação de Florence Welch em Enya da nova geração ocorreu em algum momento entre Lungs, de 2009, e Cerimonials, de 2011 – e esta popularização só ficou nítida em frente aos milhares do Rock in Rio, ontem, na segunda noite do festival. Welch passou por São Paulo em 2012, com um memorável show no Summer Soul Festival. Se já era uma história de sucesso indie demasiadamente mainstream, daquelas que agradam pais e filhos e acabam, assim, por espantar os filhos, havia conseguido disfarçar.

Vestida de sacerdotisa celta, saltitando pelo Palco Mundo, pregando gospel new age para as massas, Florence perde força, como se tivesse todas as armas necessárias – a bela voz, a banda, os hits –, mas lhe faltasse ganas para tirar o máximo de tudo isso.

A sensação fica nítida nos momentos-chave de suas músicas, em que a cantora não se esforça para alcançar as notas mais altas. Dog Days, por exemplo, tem um melisma essencial na palavra “over” (“The dog days are over-ah-ah”). Sem isso, na versão que ouvimos no Rock in Rio 2013, é uma canção mediana. O mesmo acontece com Rabbit Heart, cujo refrão é cantado ao vivo por Florence em um tom abaixo.

Assim, o bálsamo new age que dá cadência ao show serve de maquiagem à falta de raça. Mesmo assim, foi o melhor show do segundo dia e mostrou que um pop de maior sutileza também satisfaz a massa do Rock in Rio.

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