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Câmara aprova lei que sedimenta a Virada Cultural

Daiane Oliveira

16 de maio de 2013 | 20h13

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Por unanimidade, Comissão de Constituição e Justiça garante futuro do evento no calendário de SP

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Jotabê Medeiros – O Estado de S.Paulo

Ir à Virada Cultural era um programa de lei. E, desde esta quinta-feira, 16, a Virada também já tem sua lei. A Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa da Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou por unanimidade a lei 172/2013, projeto de autoria dos vereadores Andrea Matarazzo e Floriano Pesaro, que institui legalmente a Virada.

O texto aprovado já inclui diversas novidades adotadas nesta 9.ª edição da Virada, que começa sábado, às 18 h, e durará 24 horas consecutivas. O número de curadores previsto por lei é de 9 experts (que não poderão ser nomeados para a mesma função nos dois anos seguintes); a programação deverá incluir pelo menos 20% de atrações inéditas a cada ano; deverá ser feita sempre no primeiro semestre do ano, preferencialmente em maio. A lei também cria o selo Eu Participo da Virada Cultural, que beneficia os participantes privados que aderirem ao evento com contrapartidas a serem definidas.

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“É para impedir que apareça um prefeito maluco e queira cancelar a Virada”, disse o vereador Arselino Tatto (PT), que integra a comissão. Ele disse que há a possibilidade de, nos próximos dias, já se reunirem as comissões da Câmara para levar o texto ao plenário. Em visita ao Estado, o secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, saudou a aprovação: “É uma grande notícia, a Virada Cultural já se tornou um patrimônio do paulistano”.

A Virada Cultural deve reunir em torno de 4 milhões de pessoas nas ruas do centro da capital neste fim de semana para assistir a 950 eventos em 120 locais diferentes. A Prefeitura, que no início do ano sinalizava um corte de 30% na programação, acabou destinando um orçamento recorde para a realização da mostra, cerca de R$ 10 milhões (em torno de 25% maior do que o do ano passado).

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Segundo Ferreira, essa reinversão de prioridades se deu porque o governo concluiu que, além de ser um investimento cultural importante, o aspecto econômico da Virada para a capital é crucial e pode ser incrementado. “Atualmente, sabemos que 5% do público vem de fora de São Paulo, e acreditamos que isso pode chegar a 20%.” Para isso, seriam necessários, em vez de investimentos no aumento de público, gastos no conforto dos visitantes. “Aumentamos muito o número de banheiros químicos, haverá mais segurança, o número de locais aumentou, vamos ocupar o Teatro Municipal com choro e comida a preços populares, e a nova Praça das Artes terá concertos. Faremos a Viradinha Cultural, para os pais que queiram levar os filhos”, anunciou.

O secretário rebateu críticas de que a Virada Cultural tenha deixado definitivamente de atender à periferia de São Paulo. “Há críticas. Dizem que (a Virada) é dispendiosa, mas é um custo de pouco mais de R$ 2 por pessoa. Há uns três anos, a própria Virada fez um balanço e concluiu que a dispersão não é positiva. Quanto mais a Virada se estendia pelo território da cidade ela se dispersava e o conceito se dissolvia. As pessoas querem conviver, estar juntas, assistindo a essa oferta magnífica de uma quantidade formidável de espetáculos.”

Segundo Ferreira, a mostra está atendida não só pela presença de curadores advindos das regiões de periferia, como também oferece atrações que cobrem os gostos de todo o espectro social e geográfico da cidade. E disse que a oferta de transporte público pode resolver o problema do acesso de quem vem de longe.

O hip-hop e o funk, que estiveram “banidos” da Virada, estão de volta, representados por grupos como Racionais MC’s, Criolo, Rappin Hood, Kamau, Sandrão RZO, Afro X, Fino do Rap, MC Junior e MC Leonardo, Grupo Linha Dura, Z’África Brasil, entre outros. Haverá homenagens a Chorão, Marku Ribas e Paulo Vanzolini, mortos recentemente. Cinema, teatro, intervenções artísticas, gastronomia, feiras de vinil, dois palcos para o samba: o leque é amplo.

A abertura oficial da Virada começa amanhã às 17 h com um gigantesco cortejo de 60 grupos de cultura popular (mais de mil ritmistas e dançarinos) que sai do Anhangabaú e vai até o Minhocão. Estão na parada grupos como o Maracatu Piaba de Ouro (PE) e a Irmandade Nossa Senhora do Rosário de Justinópolis (MG).

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