Bon Jovi fecha a noite com show doce até no peso
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Bon Jovi fecha a noite com show doce até no peso

Eliana Souza

21 Setembro 2013 | 01h42


Julio Maria

Muitos não imaginaram que ele chegaria ali. Uma noite de 2013 como headliner de um festival para uma média de 80 mil pessoas por noite parecia demais para quem a considerava banda de ‘rock and roll farofa’ nos anos 90, como diziam seus detratores. Mas lá estava Jon, comandando um oceano, aguardado por meninos, meninas e seus respectivos pais, muitos não menos fãs, desde às 14 h de ontem na Cidade do Rock. Sobrevivente de duas baixas complicadas (o baterista Tico Torres e o guitarrista Ritchie Sambora), Jon Bon Jovi fez o fechamento da noite em que o rock deixou de ter atitude para mandar flores.

Antítese perfeita à ferocidade do Metallica na noite anterior, Bon Jovi é doce até no peso. Troca a rebeldia adolescente pelo amor platônico e pelas desilusões amorosas. Veio desta vez com um disco já bem divulgado, How About Now, e um patrimônio digno dos hit makers. Tico Torres, vítima de sérios problemas na vesícula, que o levaram pela segunda vez às pressas a um hospital, mandou uma mensagem doída aos fãs, na qual dizia estar “muito desapontado por não poder tocar”. Seu substituto foi Rich Scannella, da mesma Nova Jersey de Jon. Já Ritchie Sambora, o fenomenal guitarrista de solos monumentais, essencial na existência do Bon Jovi, deixou o grupo por desentendimentos com Jon e por suas recaídas alcoólicas. Está em uma clínica de recuperação. Duas perdas que Jon Bon Jovi teve de driblar para não deixa-las perceptíveis.

Sua apresentação de ontem começou meia-noite e vinte, com What the Water Made Me, do disco novo, e tratou de viajar aos anos 90 logo na segunda, com (You Give Love a) Bad Name. Muitos hits entrariam, como It’s My Life, Bad Medicine e Have a Nice Day, mas o novo álbum seria mais valorizado. O novo guitarrista da banda, Philip “Phil X” Xenidis, tem técnica, mas não é bobo de sair do script escrito por Sambora há 30 anos. Faz solos com a boca e tira nota por nota das frases do antecessor. Já durante o show, mais para o meio, o baterista substituto Scannella mostra que ainda está cru. Faz as linhas sempre retas e carece de força. Sua bateria chega mais fraca, sem o mesmo peso.

Com o tempo, o repertório mostra-se bastante generoso com o novo disco. Jon encarou mesmo sua passagem pelo Brasil como se fosse parte da turnê de lançamento de How About Now. Because We Can, um hit nascido pronto, ganhou palmas da plateia como se fosse um clássico. Mas Bon Jovi exagerou quando quis retomar a canção depois de terminada, só com voz e violão. Pensou que manteria a plateia a seus pés, mas ela estranhamente não respondeu. Cheio de sorrisos, o vocalista reagiu com euforia ao olhar a imensidão da plateia à sua frente. Quando viu um fã deslizando pela tirolesa, sorriu ainda mais. À sua frente, havia um oceano que prova o que muitos diriam ser o improvável. As músicas do Bon Jovi não definharam e a banda conquistou os filhos de seus velhos fãs.

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