Bob Dylan é acusado de plágio por seu discurso no prêmio Nobel
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Bob Dylan é acusado de plágio por seu discurso no prêmio Nobel

O Estado de São Paulo

14 de junho de 2017 | 11h17

Bob Dylan em 2011. Foto: Liu Jin/AFP

A colunista Andrea Pitzer, do site Slate, levantou a suspeita de que o cantor Bob Dylan teria copiado a parte do seu discurso de agradecimento pelo prêmio Nobel de Literatura, conquistado em dezembro de 2016, que cita o romance Moby Dick, de Herman Melville.

No seu último texto, publicado na noite de terça-feira, 13, Pitzer acusa Dylan de ter se apropriado de notas escritas sobre o livro no site SparkNotes, uma espécie de guia de estudos online, que tem uma página dedicada a Moby Dick. Segundo a colunista, 20 citações a Moby Dick feitas no discuso do cantor são semelhantes às passagens sobre o romance no site.

Apesar de ter sido anunciado como vencedor do Nobel de Literatura em dezembro de 2016, Bob Dylan entregou o seu discurso apenas no dia 4 de junho, cumprindo, assim, um requisito estipulado pela Academia Sueca, que entrega o prêmio, para a retirada da láurea em dinheiro, uma premiação de cerca de 900 mil dólares. Bob Dylan tinha seis meses para entregar o discurso, ou perderia o prêmio em dinheiro. Entregou perto da data limite.

Já no dia seguinte à entrega do discurso, o escritor Ben Greenman publicou em seu blog um texto em que afirma que Dylan inventou uma das citações à Moby Dick. Em seu discurso, o cantor utiliza a suposta passagem de um sacerdote, que teria dito que “alguns homens feridos são levados a Deus, outros à amargura”, citação que Greenman garante não ter encontrado em nenhuma edição publicada do romance.

A partir daí, Pitzer começou sua investigação e descobriu que a tal passagem é semelhante a uma explicação presente no site SparkNotes. Lá, o tal sacerdote é descrito como “alguém cujas provações o levaram a Deus em vez de amargura”.

Além das comparações do discurso com o texto do SparkNotes, Pitzer cita ainda em sua coluna diversos episódios da carreira de Dylan em que ele se apropriou de títulos e citações de outras pessoas, como no álbum Love and Theft (Amor e Roubo, em  tradução livre), de 2001, que, segundo ela, tem uma relação direta com a obra de mesmo nome do autor Eric Lott, que fala sobre apropriação da cultura negra. No que diz respeito a “inventar” uma citação, a colunista também lembra que Dylan tem histórico no assunto, por ter criado falsas falas atribuídas a Abraham Lincoln na sua música Talkin’ World War III Blues.

Pitzer afirma ter procurado a gravadora de Dylan, que não retornou sobre o assunto.

 

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